Num artigo de opinião publicado no Havana Times, o escritor cubano Ariel Hidalgo critica as propostas de reforma do presidente Miguel Díaz-Canel e pede uma mudança radical intervindo no próprio Estado.
O artigo de opinião de Ariel Hidalgo, intitulado 'Cuba: É Hora de Intervir no Próprio Estado', questiona a viabilidade das propostas de reforma do presidente Miguel Díaz-Canel para enfrentar a profunda crise econômica de Cuba. Ele argumenta que nenhum investidor estrangeiro racional confiaria em projetos envolvendo o Estado cubano, citando José Martí: “Dois condores ou dois cordeiros podem se unir sem tanto perigo quanto um condor e um cordeiro.” Hidalgo observa a admissão de Fidel Castro de que o modelo “nem mesmo funciona para os cubanos”, e que em 1968 a expropriação de pequenos negócios marcou o fim da fase revolucionária e o início de reformas fracassadas. Ele atribui os fracassos do modelo a uma “casta burocrática civil-militar gigantesca e incontrolável” que gerencia a economia sem incentivos à produtividade, criando conflitos entre trabalhadores, burocratas e a liderança do partido-Estado composta por cerca de 20-30 funcionários. Hidalgo defende uma “nova revolução” que permita aos investidores operar sem interferência estatal além de impostos, liberando os mercados dos controles de preços e permitindo que os trabalhadores compartilhem lucros e elejam gerentes por meio de conselhos de trabalhadores. Ele pede a compensação aos herdeiros de propriedades confiscadas e que os trabalhadores “confisquem” do Estado formando conselhos para gerir as empresas, inspirado nas ideias de Jorge Mas Canosa. Esse sistema, afirma ele, incentivaria milhões, erguendo Cuba “como a Fênix, das ruínas e em direção às estrelas”. A peça foi publicada no Havana Times em 16 de março de 2026.