A proporção de empregados domésticos no total de trabalhadores no Brasil atingiu o menor nível desde 2012, com 5,4% em outubro de 2025. Esse declínio reflete melhorias nas oportunidades para mulheres e desaceleração econômica geral. Os dados indicam impactos potenciais na inflação e nas taxas de juros do Banco Central.
Em outubro de 2025, os empregados domésticos representavam apenas 5,4% do total de trabalhadores ocupados no Brasil, o menor patamar desde março de 2012, quando eram 6,8%. Antes da pandemia de Covid-19, essa proporção nunca caiu abaixo de 6,3%. Com cerca de 5,5 milhões de pessoas nessa categoria, o número diminuiu 360 mil em termos anuais, quase todos informais, totalizando 5,5 milhões atualmente.
Os dados, extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, mostram que 92% dos domésticos são mulheres, sendo 69% negras, 54,2% com 45 anos ou mais e 55,4% chefes de família. A maioria, 74%, realiza serviços gerais, enquanto 21% atuam como cuidadores de crianças. Apenas 25% têm contrato pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), contra 32% no início da década de 2010. O salário médio é de R$ 1.343 mensais, inferior ao mínimo nacional e equivalente a 44% da média do setor privado não doméstico, que é R$ 3.045. Além disso, 32% trabalham em mais de uma residência, indicando aumento de diaristas.
Essa redução ocorre em meio a uma desaceleração no crescimento do emprego total, de 0,91% ao ano em outubro, o ritmo mais lento desde novembro de 2023 e inferior aos 2,49% de maio. A queda é mais acentuada nos serviços domésticos (-5,7%) e em outros serviços (-3,7%), com perdas também em comércio e alojamento. Especialistas atribuem o êxodo de mulheres desse trabalho opressivo a melhores oportunidades no mercado. Desde abril, os salários dos domésticos crescem mais rápido que a média geral.
O Banco Central monitora essa desaceleração no emprego, especialmente em serviços, para decisões sobre juros. Sem a saída de pessoas do mercado de trabalho – possivelmente devido a melhorias na qualidade de vida –, a taxa de desemprego já teria subido.