O Banco Central do Brasil desistiu de regulamentar o Pix Parcelado no curto prazo, após adiamentos anteriores. A decisão foi anunciada em 4 de dezembro durante o Fórum Pix em Brasília. Embora o serviço continue disponível pelos bancos, o uso do nome 'Pix Parcelado' foi vetado.
O Banco Central (BC) informou em 4 de dezembro, durante o Fórum Pix em Brasília, que desistiu de regulamentar o Pix Parcelado no curto prazo. A modalidade, que permite parcelar pagamentos via Pix com o destinatário recebendo o valor integral de forma instantânea, já é oferecida por bancos e fintechs de forma independente. Originalmente previsto para setembro, o lançamento foi adiado, com regras esperadas para outubro e um manual de experiência do usuário para dezembro, o que não ocorreu.
A autarquia vetou o uso da denominação 'Pix Parcelado' pelas instituições financeiras, permitindo variações como 'parcelas no Pix', 'crédito via Pix' ou 'Pix no crédito'. Segundo interlocutores, a mudança contrariou a equipe técnica do BC, que optou por não se manifestar. As taxas de juros variam de 1,59% a 9,99% ao mês, dependendo do perfil do cliente, mas as regras atuais são heterogêneas, com pouca clareza sobre inadimplência.
Especialistas criticaram a decisão. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) a chamou de 'inaceitável', argumentando que cria desordem regulatória, aumenta abusos e o risco de superendividamento. Viviane Fernandes, consultora do Idec, destacou que o BC não justificou a escolha, mencionando apenas que o produto já está implementado no mercado, diferentemente de outros serviços Pix com regras padronizadas.
Em novembro, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, minimizou a falta de clareza, notando que o Pix Parcelado é usado por mais da metade da população brasileira. Em agosto, ele o apresentou como alternativa para 60 milhões de pessoas sem cartão de crédito, promovendo pagamentos parcelados mais competitivos. O BC planeja continuar estudando a medida para possível regulamentação futura.