O líder indígena Raoni Metuktire, de 93 anos, expressou frustração por não ter sido convidado para discursar oficialmente na COP30, em Belém, participando de um evento de protesto na Zona Azul em 15 de novembro. No dia seguinte, ele discursou no encerramento da Cúpula dos Povos, destacando os efeitos das mudanças climáticas e entregando uma carta com demandas da sociedade civil ao presidente da conferência.
Em 15 de novembro, durante a COP30 em Belém (PA), o cacique Raoni Metuktire, líder do povo Kayapó (Mebêngôkre), participou de um evento na Zona Azul —área oficial das negociações— organizado com apoio da delegação panamenha, no pavilhão The Climate Funds. Sua equipe alega que ele não recebeu convite para fala oficial nem da presidência brasileira da COP, coordenada por André Corrêa do Lago, nem do governo Lula. 'A gente se sentiu frustrada com essa falta de diálogo. Era para ser o grande evento do Raoni aqui na COP como o maior líder dos povos indígenas', disse Mayalu Kokometi Waura Txucarramãe, coordenadora do Instituto Raoni.
Houve dificuldades com credenciais: inicialmente, apenas para Raoni e três acompanhantes, insuficiente para o idoso de 93 anos que usa cadeira de rodas. O Panamá facilitou para cerca de 30 pessoas. O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) negou críticas, afirmando credenciar 360 indígenas na Zona Azul via iniciativa COParente, com diálogos com 2 mil lideranças. Raoni entrou como autoridade, com escolta da ONU, e foi acompanhado pelo MPI.
No evento, Raoni pediu defesa da floresta 'pela verdade' e criticou que verbas para indígenas não chegam a eles. 'Esse dinheiro tem que ser mandado para nós, para que a gente possa [...] proteger também nossas terras', afirmou. Após, mulheres Kayapó cantaram. Ele se reuniu em 16 de novembro às 14h com ministras Marina Silva e Sônia Guajajara, André Corrêa do Lago e Guilherme Boulos.
Na manhã de 16 de novembro, Raoni discursou no encerramento da Cúpula dos Povos na UFPA, para audiência com Corrêa do Lago. Ressaltou o calor de 32°C em Belém como efeito climático: 'Mais uma vez, peço a todos que possamos dar continuidade nessa missão de defender a vida da terra'. A Cúpula, com 15 mil participantes de 62 países em cinco dias, entregou carta demandando fim de combustíveis fósseis, Fundo de Perdas e Danos, discussões de gênero e crítica a FMI e Banco Mundial. 'É uma forma de dizer que nem tudo que está sendo negociado lá no espaço oficial serve para nós', disse Ayala Ferreira, da Comissão Política.
O evento terminou com 'banquetaço' na Praça da República, oferecendo pratos como tacacá e pirarucu no tucupi, valorizando agricultura familiar afetada pela crise climática. Sônia Guajajara destacou em vídeo a mensagem de Raoni sobre urgência, demarcação de terras e redução de desmatamento.