Químicos criam plásticos com vida útil programável

Pesquisadores da Universidade Rutgers desenvolveram uma técnica para criar plásticos que se decompõem em dias, meses ou anos, inspirados em polímeros naturais como DNA. Essa abordagem visa reduzir a poluição ambiental causada por plásticos descartados. O método imita estruturas químicas que permitem degradação rápida na natureza.

Em 2022, mais de 250 milhões de toneladas de plástico foram descartadas em todo o mundo, com apenas 14% reciclados, deixando a maioria para ser queimada ou enterrada. Esforços para produzir plásticos biodegradáveis persistem há 35 anos, usando materiais como bambu e algas marinhas, embora muitos não se compostem facilmente ou cumpram as alegações.

Yuwei Gu e sua equipe na Rutgers, The State University of New Jersey, investigaram por que polímeros naturais como DNA e RNA se degradam rapidamente, enquanto plásticos sintéticos duram séculos. Eles identificaram grupos vizinhos em polímeros naturais que facilitam ataques nucleofílicos, rompendo cadeias poliméricas com menos energia.

Os pesquisadores sintetizaram estruturas artificiais que imitam esses grupos e os incorporaram em novos plásticos. Isso permite que os materiais se desmontem facilmente, com a vida útil ajustada alterando a estrutura das adições. A decomposição converte cadeias longas em fragmentos pequenos, potencialmente reutilizáveis para novos plásticos ou dissolução ambiental segura.

«Essa estratégia funciona melhor para plásticos que se beneficiam de degradação controlada em dias a meses, então vemos grande potencial para aplicações como embalagens de alimentos e outros materiais de consumo de curta duração», afirmou Gu. Ele acrescentou: «No momento, é menos adequada para plásticos que devem permanecer estáveis por décadas antes de se decompor – como materiais de construção ou componentes estruturais de longo prazo.»

Desafios permanecem: os fragmentos líquidos resultantes exigem testes de toxicidade para liberação segura. A decomposição atualmente precisa de luz ultravioleta, embora a luz solar ambiente seja suficiente; plásticos enterrados persistiriam sem ela. O trabalho aparece em Nature Chemistry (DOI: 10.1038/s41557-025-02007-3).

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar