Os Correios estão avaliando reivindicar uma compensação do governo pela prestação do serviço postal universal, que gera prejuízos significativos. A estatal negocia um empréstimo de R$ 20 bilhões vinculado a um plano de reestruturação, mas enfrenta resistências no governo Lula. O tema deve ser mencionado de forma genérica no plano, sem depender de receitas futuras da compensação.
Os Correios, estatal brasileira responsável pela entrega de correspondências e encomendas, buscam compensação financeira do governo federal pela obrigação constitucional de prestar o serviço postal universal. Essa garantia exige a presença da empresa em todo o território nacional, incluindo áreas remotas não rentáveis, o que responde por grande parte dos custos operacionais.
De acordo com fontes próximas às discussões, a companhia avalia a criação de uma taxa de universalização, cobrada sobre uma base a ser definida, mas ainda não há proposta fechada. O tema será abordado de forma genérica no plano de reestruturação, essencial para aprovar o empréstimo de R$ 20 bilhões com bancos públicos e privados. No entanto, o plano deve demonstrar sustentabilidade financeira sem contar com receitas dessa compensação.
A universalização gerou prejuízo de R$ 4,82 bilhões no primeiro semestre de 2025, contribuindo para o rombo total de R$ 4,37 bilhões no período. Até setembro, o prejuízo acumulado alcançou R$ 6,1 bilhões, triplicando o de R$ 2,14 bilhões em 2024, devido à queda de 12,3% na receita bruta para R$ 12,8 bilhões – especialmente em postagens internacionais, que caíram de R$ 3,17 bilhões para R$ 1,13 bilhões – e aumento de 6,9% nos custos com pessoal, para R$ 8,25 bilhões.
A reestruturação inclui medidas como programa de demissão voluntária (PDV), reformulação do plano de saúde, fechamento de agências e novo plano de cargos e salários. A empresa também estuda parcerias com privados, joint-ventures e transferência de imóveis para a Emgea para venda rápida, mantendo o controle da União. Técnicos destacam o papel dos Correios na logística nacional, como transporte de urnas eleitorais e provas do Enem.
Há resistências no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à taxa, temendo desgaste eleitoral similar à 'taxa das blusinhas' sobre remessas internacionais de até US$ 50. O estoque de precatórios subiu para R$ 2,48 bilhões, pressionando o caixa. O Ministério da Fazenda estima déficit primário de R$ 5,8 bilhões para os Correios em 2025, impactando a meta fiscal e forçando contenção de R$ 3 bilhões em despesas federais.
Os Correios mantêm cerca de 10 mil unidades de atendimento, das quais 7 mil são agências próprias ou franqueadas; 71% operam sem lucro para cumprir a universalização. Em comunicado, a estatal afirmou que 'em diversos países, mecanismos formais de compensação asseguram a universalização, reconhecida como serviço público indispensável'.