A ativista cubana exilada Oraisa Estrada Velma denunciou abusos contra cubanos negros e pardos no Fórum Permanente sobre Afrodescendentes em Genebra, mas foi interrompida pela delegação oficial de Cuba. O representante cubano acusou-a de usar linguagem desrespeitosa e pediu que ela fosse silenciada, provocando vaias da plateia. Estrada continuou seu discurso, mencionando prisioneiros políticos e recebendo aplausos.
Oraisa Estrada Velma, membro do Cubanos por el Progreso e Integración em Valência, Espanha, discursou na terça-feira no primeiro dia do Quinto Fórum Permanente sobre Afrodescendentes em Genebra, na Suíça. Ao lado da jornalista María Matienzo, ela manifestou-se em defesa dos prisioneiros políticos afrodescendentes em Cuba, citando assédio, vigilância, perseguição e tortura. "Como uma mulher cubana afrodescendente livre, hoje levanto a minha voz por aqueles de quem tentaram tirar tudo — sua liberdade, sua dignidade e até sua humanidade", declarou.
A missão permanente de Cuba na ONU pediu a palavra após suas acusações de que o regime usurpa o discurso de justiça social. O funcionário cubano alegou que Estrada estava "abusando das regras deste Conselho de Direitos Humanos" com "termos e linguagem desrespeitosos" e solicitou que ela fosse "chamada à ordem" ou silenciada caso continuasse.
Sem se intimidar, Estrada citou prisioneiros como Luis Manuel Otero Alcántara, Maykel Castillo Osorbo e a família de Walnier Aguilar, fazendo referência ao hino de protesto de 2021, Patria y Vida. Ela terminou com um apelo à consciência mundial por liberdade e dignidade, sendo recebida com quase 20 segundos de aplausos.
Ao final da sessão, o representante cubano desqualificou as ativistas como "agentes pagos" de esforços de mudança de regime financiados pelos EUA, posando falsamente como ONGs, o que provocou vaias. Matienzo já havia condenado anteriormente a repressão contra intelectuais afrodescendentes. O fórum, que ocorre de 14 a 17 de abril, visa redigir uma declaração sobre os direitos das pessoas afrodescendentes.