Paula González, ex-concelheira do PP em Navalmoral de la Mata (Cáceres), denunciou o tratamento sexista e o abuso de poder do alcalde Enrique Hueso, o que a levou a abandonar o partido por falta de apoio da direção. Numa carta aos media, explica que solicitou proteção desde o início do ano sem resposta. Agora lamenta as tentativas dos seus antigos colegas de a desacreditar.
Paula González, concelheira não filiada em Navalmoral de la Mata (Cáceres), abandonou recentemente o Partido Popular (PP) devido ao «tratamento sexista» e ao «abuso de poder» do alcalde Enrique Hueso. Numa carta aos media a 19 de dezembro de 2025, González detalha que desde o início do ano transmitiu o seu desconforto à direção do partido por vários canais, com respeito e discrição, mas não obteve soluções.
«Fiz isso com respeito, com discrição e com a esperança de que a situação pudesse ser corrigida», escreveu. Posteriormente, enviou uma carta formal a pedir «proteção, escuta e mediação» para trabalhar num ambiente de respeito e dignidade. Contudo, não foram tomadas medidas. Um áudio do porta-voz regional do PP, José Ángel Sánchez Juliá, revela que a direção sabia da situação e receava repercussões: «Se nos acusarem de tratamento sexista, haverá problemas».
González recebeu mensagens como «Aguenta-te», «sabes como é o Enrique» ou «vamos falar com ele», que considerou «especialmente dolorosas». Após uma profunda reflexão, decidiu sair do partido para se manter coerente com os valores que defende. Agradece a sensibilidade de Sánchez Juliá, embora não tenha resultado em ações concretas.
Agora sente-se magoada pelas tentativas de a desacreditar, como as do secretário-geral Abel Bautista e da candidata María Guardiola, que ligam a sua saída a ambições eleitorais para 21 de dezembro. «Não escrevo estas linhas por confronto ou ressentimento. Faço-o pela necessidade de explicar a minha verdade e defender a minha dignidade», conclui, comprometendo-se a continuar a trabalhar pelos vizinhos com responsabilidade e diálogo.