Duas ex vereadoras do PSOE em A Corunha apresentaram queixas contra a mayor Inés Rey e o seu adjunto por alegado assédio laboral através do canal anti-assédio do partido. As acusações referem-se a eventos de 2020 a 2022, previamente ignorados pela direção federal. Rey rejeita as alegações como um uso espúrio do mecanismo e acertos de contas políticos.
A crise no PSOE galego aprofunda-se com as queixas apresentadas na quarta-feira por Eva Martínez Acón e Esther Fontán contra a mayor de A Corunha, Inés Rey, e o seu adjunto, José Manuel Lage Tuñas. As duas ex vereadoras alegam assédio laboral durante o seu tempo no governo local de 2020 a 2022. Acón, ex secretária-geral local do partido e vereadora do emprego, descreve tratamento humilhante, gritos, insultos e grosserias após exigir que Rey e Lage contribuíssem com parte dos seus salários públicos para o partido conforme os estatutos.
Fontán, que era vereadora do ambiente, relata pressões, discussões contínuas, insultos e a retirada das suas competências, causando sofrimento psicológico que requereu cuidados de urgência durante uma sessão plenária. Ambas enviaram queixas à direção federal em Ferraz, mas não receberam resposta. Fontán escreveu uma carta a Santos Cerdán, então secretário de organização, pedindo ação e concluindo: «Sinceramente, não acho que o nosso partido mereça tal conduta, que não reflete as suas ideias, a sua ética e muito menos o seu compromisso com as mulheres».
Rey respondeu num comunicado negando que sejam vítimas autênticas de assédio e acusando-as de usar o canal anónimo com os seus nomes para acertar contas pelo facto de não terem sido recandidatas. «Deviam ir aos tribunais, e se não o fizeram [...], entendo que é porque sabem perfeitamente que não há nada a denunciar, e porque sabem que em Espanha a denúncia falsa é crime», afirma a mayor, atribuindo o tratamento a desacordos políticos.
Acón e Fontán decidiram apresentar as queixas agora por indignação ao verem Rey criticar internamente o caso de assédio sexual contra José Tomé, colaborador próximo do líder do PSdeG, enquanto agita a bandeira feminista. Com estas, quatro líderes galegos foram denunciados recentemente; os dois primeiros, Tomé e Xosé Carlos Valcárcel, demitiram-se do partido. A direção galega abstém-se de comentar por falta de notificação oficial, enquanto o lado federal esclarece que o canal trata apenas assédio sexual, remetendo questões laborais para o Comité de Ética.