A candidata presidencial oficialista Jeannette Jara enfrenta duas controvérsias após o debate Anatel: uma disputa com o prefeito Mario Desbordes por uma multa TAG e divisões internas por seus comentários sobre María Corina Machado. Jara acusou a municipalidade de Santiago de vazar informações falsas sobre o pagamento da multa, enquanto suas declarações sobre a figura da oposição venezuelana provocaram reações variadas em sua equipe de campanha. Esses problemas surgem dias antes do segundo turno em 14 de dezembro.
Na terça-feira, durante o debate presidencial Anatel, Jeannette Jara (PC) reconheceu uma multa por sete passagens sem TAG, afirmando que a pagou em 2020. No entanto, na quarta-feira, acusou a Municipalidade de Santiago de atuar para José Antonio Kast e divulgar um recibo falso mostrando pagamento atrasado até novembro de 2023. «Na Municipalidade de Santiago, há pessoas atuando para Kast. Isso vem de lá e é uma mentira», declarou Jara em um ponto de imprensa.
O prefeito Mario Desbordes (RN) respondeu duramente: «Flagraram você mentindo, e em vez de reconhecer e pelo menos se desculpar, você lança outra mentira muito grosseira. As informações circulando sobre suas dívidas TAG não vêm de funcionários municipais.» A campanha de Jara divulgou um certificado AutoPase confirmando o pagamento em 2020, e a empresa respaldou sua versão, assumindo a responsabilidade pela confusão na data.
Outra controvérsia surgiu dos comentários de Jara sobre María Corina Machado, recente vencedora do Prêmio Nobel da Paz e opositora de Nicolás Maduro. «Não a conheço, só sei o que passa na televisão, e sei que ela teve tentativas de golpe, além de tentar promover eleições livres», disse Jara, dividindo a coalizão oficialista. Francisco Vidal (PPD), porta-voz da campanha, preferiu não comentar e a descreveu como uma «oponente legítima de Maduro, Nobel bem merecido», embora notasse oscilações em seu histórico.
Alejandra Krauss (DC) expressou uma visão diferente: «No DC, estimamos que Corina Machado é uma liderança que permanentemente buscou a liberdade para seu povo e merece todo o respeito.» José Toro (PPD) reconheceu «posições diferentes sobre María Corina». A chefe de campanha Paulina Vodanovic enfatizou que Jara tem criticado a ditadura venezuelana, e Constanza Martínez (FA) afirmou que Jara foi clara sobre a Venezuela. Lautaro Carmona (PC) evitou a polêmica, respeitando os porta-vozes.
Essas disputas ocorrem quatro dias antes do segundo turno, enquanto Jara encerra sua campanha na Região Metropolitana mantendo sua ofensiva contra Kast.