José Antonio Kast e Jeannette Jara se preparam para o segundo debate presidencial, organizado pela Associação de Emissoras de Rádio do Chile (ARCHI) na Universidade Católica. O evento, crucial às vésperas do segundo turno em 14 de dezembro, busca aprofundar as propostas sem cair em confrontos. Ambos os candidatos destacaram abordagens diferentes: Kast em evitar embates verbais, e Jara em manter o respeito mútuo.
Horas antes do debate da ARCHI, marcado para a manhã de quarta-feira no Campus Oriente da Universidade Católica, José Antonio Kast concentrou sua preparação em revisar eixos programáticos como segurança e economia, além de temas contingentes. Sua equipe, incluindo assessores como Cristián Valenzuela e María Paz Fadel, liberou sua agenda pública na tarde de terça-feira para se concentrar no evento de rádio, transmitido por mais de mil estações nacionais. A estratégia republicana visa manter o foco nas propostas e evitar o tom confrontacional que atribuem a Jara, militante do Partido Comunista. “Se ela quiser brigar, que o faça sozinha”, dizem fontes de seu círculo, embora Kast não evite responder a acusações ou críticas ao governo de Gabriel Boric quando apropriado.
Durante uma atividade matinal sobre educação, Kast insinuou: “Tenho muitas coisas para falar e não preciso falar dela.” Ele acrescentou: “Se me mandarem falar dela, bem, eu digo: ‘O que você fez como Ministra do Trabalho? Gerar desemprego’, mas paro por aí.” A campanha vê esses debates como de impacto marginal em uma eleição binária com eleitorado em grande parte decidido.
Enquanto isso, Jeannette Jara, a candidata oficialista e porta-estandarte da Democracia Cristã, reforçou suas questionamentos após um evento com cooperativas e pequenos negócios. Incidentes do primeiro debate do Hogar de Cristo incluem choques, como quando Kast chamou sua intervenção de “intervalo comercial”, ao que ela respondeu: “O que seria o intervalo comercial? Seu tratamento não lhe parece um pouco desrespeitoso?” Jara alertou: “Se o candidato me desrespeitar, como da última vez, não vou tolerar.” Ela enfatizou: “Se uma candidata presidencial é desrespeitada, o que resta para outra mulher? [...] Acho que há certos limites que não devem ser cruzados na política.”
Ela também questionou os laços de Kast com Miguel Krassnoff, agente da DINA condenado por crimes contra a humanidade: “É muito complexo quando o candidato Kast diz que se reuniu com Krassnoff e não acredita em tudo o que se diz sobre ele. [...] É um perigo.” O debate será conduzido por sete jornalistas, incluindo Paola Ahumada, Coni Santa María e Daniel Silva como moderador, representando a diversidade regional. Após o evento, Kast retomará sua turnê na Região do Maule, com uma reunião em Talca.