José Antonio Kast será proclamado presidente eleito esta segunda-feira ao meio-dia no Tribunal Calificador de Elecciones, convidando líderes de todos os partidos com representação parlamentar, do PC ao PNL. Esta iniciativa visa sinalizar diálogo com o atual governo e a oposição. Enquanto isso, prepara uma viagem ao Peru focada na crise migratória venezuelana após a captura de Nicolás Maduro.
Esta segunda-feira ao meio-dia, José Antonio Kast participará da sua cerimônia de proclamação como presidente eleito no Tribunal Calificador de Elecciones (Tricel) em Santiago. Acompanhado da esposa María Pía Adriasola, dos filhos José Antonio e Josefina, e assessores como Cristián Valenzuela, María Paz Fadel e Catalina Ugarte, convidou os 16 presidentes de partidos com assentos parlamentares. Entre os convidados estão Guillermo Ramírez (UDI), Rodrigo Galilea (RN), Johannes Kaiser (PNL), Ximena Rincón (Demócratas), Lautaro Carmona (PC), Jaime Quintana (PPD), Paulina Vodanovic (PS) e Andrés Couble (Frente Amplio).
A inclusão de figuras de esquerda e direita surpreendeu, pois essas cerimônias tradicionalmente envolvem apenas a família do eleito, assessores próximos e funcionários públicos. Em 2022, Gabriel Boric compareceu apenas com Irina Karamanos devido às restrições da Covid-19. Sebastián Piñera em 2018 chegou com família e assessores como Andrés Chadwick e Cecilia Pérez, enquanto Michelle Bachelet em 2014 convidou a coalizão Nueva Mayoría e alguns opositores como Carlos Larraín do RN. Fontes republicanas veem nisso um gesto de abertura ao governo atual para fomentar boas relações.
A semana de Kast inclui uma viagem ao Peru na tarde de terça-feira, após um evento com a CPC, retornando na noite de quarta-feira. Marca sua terceira saída internacional: visitas anteriores à Argentina para reunião com Javier Milei e ao Equador com Daniel Noboa. O foco está na crise venezuelana após a detenção de Nicolás Maduro pelos EUA no sábado. Kast saudou o evento nas redes sociais, pedindo que 'todo o aparato do regime abandone o poder' e coordenar o retorno dos venezuelanos.
No Peru, reunirá-se com o presidente José Jerí, seu gabinete e líderes empresariais. Jerí afirmou: 'A partir de hoje, muitas famílias podem se reunir em seu país, por isso facilitaremos seu retorno imediato independentemente do status migratório.' Os dois acordaram durante uma ligação no domingo aprofundar um possível corredor humanitário, que Jerí chamou de 'mecanismo para casos muito excepcionais'.
A postura de Kast gerou críticas da esquerda. Ricardo Lagos Weber (PPD) pediu esclarecimentos sobre seus princípios de política multilateral, enfatizando o direito internacional. Coca Ñanco (Frente Amplio) contrastou o 'discurso populista' de Kast com o multilateralismo de Boric. Lautaro Carmona (PC) alertou contra a subserviência às políticas dos EUA, defendendo a soberania chilena.