A duas semanas do segundo turno presidencial, José Antonio Kast endurece sua postura contra a migração irregular e envia Rodolfo Carter a Arica para supervisionar a fronteira norte, após o fechamento do Peru. Jeannette Jara critica a resposta tardia do governo e propõe modernizar os controles fronteiriços. O Executivo prepara uma comissão binacional para coordenar com o Peru e gerenciar os migrantes encalhados.
A pressão migratória na fronteira norte do Chile surgiu após o governo peruano fechar sua fronteira, gerando movimento de pessoas segundo a equipe de José Antonio Kast (Partido Republicano). Há um mês, na primeira rodada eleitoral, Kast instou estrangeiros irregulares a retornarem a seus países, proposta criticada pela equipe de Evelyn Matthei. O candidato atribui o fluxo atual à sua mensagem clara: "o que temos sinalizado… gerou um movimento de pessoas que estão saindo do país". Diferentemente de Jeannette Jara, Kast não regularizará a migração irregular e dá 102 dias para essas pessoas deixarem o Chile com seus pertences, ou enfrentarão expulsão imediata ao assumir o cargo.
Para reforçar sua posição, Kast instruiu o senador eleito Rodolfo Carter a viajar para Arica: "Hoje eu tinha que estar lá (em La Araucanía), mas vou em poucas horas para Arica pelo tema das migrações". Anteriormente, Kast apresentou um plano em três fases com o general aposentado Cristián Vial, incluindo reforçar a fronteira marítima, atualizar a política migratória e exigir que a Bolívia melhore o controle fronteiriço. O senador José Durana (UDI) criticou o Ministério das Relações Exteriores pela falta de acordos bilaterais.
Jeannette Jara (Partido Comunista) questionou a gestão do governo de Viña del Mar: "Entendo que os governos vão se reunir na segunda-feira, mas eu gostaria que isso tivesse ocorrido na semana passada. Nestas matérias, os dias são importantes". Ela propõe modernizar o complexo de Chacalluta com tecnologia biométrica, sensores e drones, uma força policial especializada e apoio das Forças Armadas, além de diplomacia ativa.
O subsecretário do Interior Víctor Ramos, com o governador Diego Paco (RN) e Rafael Collado, reuniu-se em Arica com as forças de segurança. Eles minimizam uma crise humanitária, com apenas 14 pessoas inicialmente afetadas, principalmente venezuelanos, equatorianos e colombianos. Preparam uma comissão binacional na segunda-feira para discutir caracterização de migrantes, recondução, troca de informações policiais e protocolos de segurança.