Pablo Medina, controlador da Inmobiliaria Fundamenta, rejeitou alegações de irregularidades nos passos judiciais que permitiram o avanço do projeto Eco Egaña Comunidad Sustentable em março de 2023. Em uma entrevista, defendeu a legalidade das ações perante a Suprema Corte e negou qualquer influência indevida. A controvérsia surgiu após relatório da Ciper sobre o escritório de advocacia Lagos, Vargas & Silber.
O projeto imobiliário Eco Egaña Comunidad Sustentable, avaliado em US$300 milhões, enfrentou obstáculos burocráticos e judiciais que ameaçavam seu progresso. Em novembro de 2022, o Serviço de Avaliação Ambiental (SEA), sob direção de Valentina Durán, aprovou o projeto, revogando uma resolução anterior de abril de 2022 da Comissão de Avaliação Ambiental (Coeva). Isso permitiu reiniciar as obras e, em fevereiro de 2023, a Suprema Corte ratificou a decisão do SEA por meio de uma decisão de cassação, aplicando a doutrina do caso Dominga.
Medina enfatizou que a resolução da Suprema Corte foi "uma mera formalidade" e não um avanço extraordinário. "Não aceitaremos que se diga que o Eco Egaña obteve sucesso por meio de jogo sujo ou influências indevidas", afirmou, defendendo o trabalho de sua equipe jurídica, incluindo Rodrigo Benítez, Edesio Carrasco e Raúl Tavolari em questões ambientais.
A controvérsia escalou com um relatório da Ciper detalhando os negócios da Fundamenta com o escritório Lagos, Vargas & Silber, contratado em meados de 2022 após a paralisação do projeto. Gabriel Silber ofereceu seus serviços, destacando experiência em disputas semelhantes, e o escritório lidou com relações comunitárias e ações judiciais contra o Estado. Medina negou conhecimento de práticas ilícitas: "Somos uma empresa honesta com prestígio". Dois sócios, Eduardo Lagos e Mario Vargas, estão detidos por suposta lavagem de dinheiro e suborno no "caso Bielorrusia".
A Fundamenta pagou US$600 milhões ao escritório entre 2022 e 2023 pela preparação de queixas por prevaricação administrativa e ações civis. Também pagaram US$2 milhões a Marcos Fuentes para questionar o ministro Sergio Muñoz, que se recusou voluntariamente ao saber que sua filha comprava no projeto. Medina desmentiu pagamentos de US$400 milhões a Fuentes e esclareceu que desconheciam a amizade de Vargas com a ministra Ángela Vivanco ou seu papel na nomeação do ministro Diego Simpertigue.
Ao tomar conhecimento do caso Movitec, a Fundamenta encerrou a relação e revogou poderes. Agora buscam novos advogados para a ação contra o Tesouro, com todas as despesas legais documentadas. Medina fez autocrítica: "Se atos ilícitos ocorreram em nossos processos, seremos os primeiros a repudiar e a perseguir ação penal". Insistiu que não houve opacidade nem ações ilegais, e que o caso tem interesse nacional devido à sua complexidade.