Governo avança na reconversão de Punta Peuco apesar da resistência local

O governo chileno ativou a transformação da prisão de Punta Peuco em um presídio comum, permitindo a entrada de condenados por crimes não graves a partir desta terça-feira. A medida visa eliminar prisões especiais para violadores de direitos humanos da ditadura e otimizar recursos diante do superlotação prisional. No entanto, enfrenta oposição de advogados dos detentos e do prefeito de Tiltil, que denuncia impactos na segurança local.

O decreto supremo, publicado no Diário Oficial em 5 de novembro de 2025, modifica o status de Punta Peuco após aprovação da Contraloría. Dois considerandos chave justificam a medida: o direito à igualdade perante a lei e a improbabilidade de manter uma prisão especial para ex-agentes condenados por violações de direitos humanos durante a ditadura. O presidente Gabriel Boric celebrou a aprovação, afirmando que a instalação estará "à disposição das necessidades do país, particularmente os desafios de segurança que enfrentamos".

O ministro da Justiça, Jaime Gajardo, enfatizou: “O ponto principal é que não haverá mais prisões especiais para pessoas condenadas por graves violações de direitos humanos para cumprir suas penas. Isso é o mais importante”. Ele comparou a reconversão ao fechamento da prisão de Cordillera em 2013 sob Sebastián Piñera, marcando o fim de instalações exclusivas. A partir desta terça-feira, condenados por crimes comuns de baixo risco entrarão, com mudanças nas visitas e o fim de privilégios especiais como pacotes. A capacidade atual de 133 vagas, que abriga 141 detentos, será expandida para 165 por meio de obras como novos módulos, uma sala de visitas e vigilância. Os detentos atuais não serão transferidos, e a instalação permanecerá apenas para homens; as novas vagas priorizarão idosos de baixo risco.

A resistência surgiu imediatamente. O advogado Raúl Meza, da Fundación Verdad y Justicia, apresentou um recurso de proteção no Tribunal de Apelações de Santiago, alegando que o decreto é “ilegal e arbitrário” e viola os direitos à vida e integridade dos detentos. O governo rejeitou as alegações, citando os poderes legais do Ministério da Justiça, endossados pela Contraloría. “O que é anômalo é ter uma prisão especial para certos criminosos que cometeram crimes durante um período histórico específico”, afirmou Gajardo.

O prefeito de Tiltil, César Mena (ind. republicano), anunciou um recurso de amparo para quinta-feira e está considerando o Tribunal Constitucional, afirmando que a medida “pisoteia os direitos humanos de todos os habitantes de Tiltil”. Ele acusou Boric de um “piscar político” à candidata Jeannette Jara para impulsionar pesquisas, prevendo insegurança, invasões de terras e pressão no setor de saúde em uma comuna com poucos recursos: apenas três veículos de segurança para 700 km². A comunidade está organizando protestos e recursos semelhantes. A implementação completa está prevista para 2026.

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