A Justiça decretou a prisão temporária de Erick Pereira dos Santos, conhecido como Cicatriz, suspeito de matar Angélica Alves Camargo. O corpo dela foi encontrado dentro de um carrinho de supermercado na madrugada de 2 de dezembro, na zona leste de São Paulo. Ele está foragido e é procurado pela polícia.
O corpo de Angélica foi descoberto por acaso por um homem que investigava o furto de duas bicicletas. Ele seguiu Cicatriz, descrito como morador de rua, em um Fiat Uno e observou o suspeito empurrando o carrinho pela Rua General Oscar Carvalho, na Vila Formosa. Ao notar a perseguição, Cicatriz fugiu e abandonou o carrinho, revelando o corpo da vítima.
A Polícia Militar foi acionada e a investigação ficou a cargo da Polícia Civil. Câmeras de monitoramento capturaram o momento em que o homem transportava o corpo pela via pública. "A frieza demonstrada por sua conduta —ao transportar pela via pública o corpo de uma mulher já sem vida, utilizando-se de um carrinho— evidencia elevado grau de periculosidade e desprezo pelos mecanismos mínimos de controle social", afirma trecho do pedido de prisão do DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa).
O dono de um bar próximo relatou que Cicatriz consumiu duas cervejas sem pagar, saiu correndo e deixou uma pochete contendo um cachimbo, isqueiro e um sache. O suspeito foi identificado por fotos do sistema policial e imagens do Muralha Paulista, rede de câmeras do governo estadual. Exames periciais foram solicitados para determinar a causa da morte.
O caso ocorre em meio a um aumento recorde de feminicídios na capital paulista. Em 2025, foram registrados 53 casos até o momento, superando os 51 de 2024, o recorde anterior. Segundo o Instituto Sou da Paz, a capital concentra um em cada quatro feminicídios do estado, com alta de 23% nos dez primeiros meses em comparação a 2024 e de 71% ante 2023. A maioria dos crimes (67%) acontece em residências, com armas brancas ou objetos contundentes usados em mais da metade dos casos.