O ex-presidente polonês Lech Wałęsa, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, sugeriu aos cubanos na Flórida que aproveitassem o presidente dos EUA Donald Trump para alcançar mudanças na ilha, mas alertou que ele não trará liberdade para eles.
Lech Wałęsa, que em 1990 se tornou o primeiro presidente polonês eleito democraticamente desde 1926, comparou a luta atual de Cuba à que ele liderou para encerrar o regime comunista em 1989. Ele recordou que seu movimento se beneficiou de ter um papa polonês, João Paulo II, e instou os cubanos a fazerem o mesmo com Trump. «Vocês precisam aproveitar Trump porque ele está indo na direção certa, mas lembrem-se de que ele está indo no interesse dos EUA, não de Cuba. Então, precisam estar preparados para que tudo isso convirja», respondeu Wałęsa a uma pergunta da EFE. O Museu da Diáspora Cubana, a Assembleia da Resistência Cubana e outras organizações de exilados reconheceram Wałęsa como o primeiro «Embaixador da Liberdade para Cuba», considerando que «a queda do regime» está mais próxima do que nunca devido às políticas de Trump e do secretário de Estado de origem cubana Marco Rubio. Washington aumentou a pressão sobre Havana após a intervenção na Venezuela que levou à captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro, o corte dos suprimentos de petróleo bruto venezuelano para a ilha e a declaração de «emergência nacional» para sancionar países que fornecem petróleo a Cuba. Wałęsa disse aos exilados que eles têm a oportunidade de uma vitória rápida, mas é aí que os problemas começarão, com o risco de guerra civil. «Então desejo a vocês a liberdade e, de verdade, peço — deixem-me participar do desfile da vitória de vocês em Cuba. Apresse-se», expressou o ex-presidente de 82 anos. Ele também revelou uma conversa na semana passada com a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, dizendo a ela que entregou seu Prêmio Nobel a Trump rápido demais e fácil demais. Ele acrescentou que manterá contato e participará da luta pela liberdade da Venezuela e de Cuba.