O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva não comparecerá à assinatura do histórico acordo comercial entre a UE e o Mercosul, prevista para sábado, 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai. Apesar de Lula ser o principal promotor do acordo, sua ausência decorre de conflitos de agenda devido a convites tardios. Outros líderes, incluindo Santiago Peña, Yamandú Orsi e possivelmente Javier Milei, participarão.
A assinatura do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul ocorrerá no sábado, 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai, mas sem o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Uma fonte oficial informou à AFP que a decisão de Lula se deve ao fato de o evento ter sido inicialmente organizado em nível ministerial, com o Paraguai enviando convites aos presidentes na última hora, o que causou problemas de agenda. Lula foi o principal promotor desse acordo, que visa criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo ao eliminar tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral. Isso beneficiará as exportações europeias de máquinas, carros, vinhos e bebidas, ao mesmo tempo em que facilitará a entrada de açúcar, carne, mel, arroz e soja sul-americanos na Europa. O vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin enfatizou em entrevista: “Foi ele quem fez todo o trabalho. Sua liderança e perseverança foram fundamentais para um acordo que vem sendo trabalhado há 25 anos, mas nunca saiu.” A cerimônia contará com o presidente paraguaio Santiago Peña, o uruguaio Yamandú Orsi, e o argentino Javier Milei é esperado. Antes do evento, Lula se reunirá na sexta-feira no Rio de Janeiro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa. O acordo gerou controvérsia: agricultores europeus protestam contra o potencial inundamento dos mercados com produtos sul-americanos mais baratos, com manifestações na Irlanda, França, Polônia e Bélgica. Juntas, a UE e o Mercosul representam 30% do PIB global e mais de 700 milhões de consumidores. Especialistas como Luciana Ghiotto, doutora em Ciências Sociais pela UBA, explicam que, para o Brasil, é “essencial mostrar que há um terceiro caminho sem se amarrar aos Estados Unidos ou à China”, em um contexto geopolítico das negociações mais longas do mundo e urgência devido às potenciais tarifas de Donald Trump. Alejandro Frenkel, cientista político da UNSAM, acrescenta que, para a UE, reforça a autonomia e, para o Mercosur, demonstra progresso em meio a crises internas.