Na cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu — onde o acordo comercial com a UE foi adiado sem assinatura, como noticiado anteriormente —, o presidente argentino Javier Milei criticou duramente a burocracia do bloco, endossou a pressão dos EUA sobre a Venezuela e convidou o presidente paraguaio Santiago Peña para uma visita de Estado para fortalecer os laços bilaterais.
Chegando com o chanceler Pablo Quirno, Milei reuniu-se com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva antes de fazer um discurso veemente contra o Mercosul: "O Mercosul nasceu com uma missão clara de promover o comércio, aumentar a prosperidade, integrar mercados e elevar a competitividade de nossas sociedades, e nenhum desses objetivos centrais foi cumprido." Ele deplorou a falta de um mercado comum, livre movimentação, abertura global e uma "burocracia superdimensionada e ineficaz", ao mesmo tempo em que pediu flexibilidade no acordo com a UE e uma tarifa competitiva.
Milei também apoiou a posição do presidente eleito dos EUA, Donald Trump: "A Argentina acolhe a pressão dos Estados Unidos e de Donald Trump para libertar o povo venezuelano. O tempo de uma abordagem tímida sobre este assunto acabou." Ele exigiu a libertação do gendarme argentino Nahuel Gallo e a restauração da democracia.
Milei, juntamente com os presidentes Santiago Peña (Paraguai), José Raúl Mulino (Panamá) e representantes da Bolívia, Equador e Peru, assinou uma declaração instando à restauração pacífica da democracia na Venezuela e ao respeito pelos direitos humanos. Brasil e Uruguai não aderiram. Lula alertou que uma intervenção armada causaria uma "catástrofe humanitária".
Após a cúpula, Milei convidou Peña para uma visita de Estado, confirmado por Quirno e pelo Ministério das Relações Exteriores do Paraguai. Peña respondeu no X: "Muito obrigado, presidente e amigo Javier Milei, pelo convite para uma Visita de Estado... Argentina e Paraguai são nações irmãs, unidas pela história e por um destino comum."