O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou a suspensão da importação de frutas da América do Sul que contenham resíduos de substâncias químicas proibidas na Europa, como medida para proteger agricultores locais. A decisão complica as negociações do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, previsto para ser assinado em 12 de janeiro. Produtos como abacates, mangas e uvas estão entre os afetados.
No início de janeiro de 2026, o governo francês anunciou a suspensão da importação de produtos alimentícios da América do Sul que contenham resíduos de agrotóxicos proibidos na Europa, visando agradar aos agricultores locais e frear o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu revelou a medida em uma carta aberta aos agricultores e em postagem na rede X, no domingo 4 ou 5 de janeiro, citando substâncias como mancozeb, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim.
"Portarias serão adotadas pelo governo esta semana para suspender a importação de gêneros alimentícios provenientes de países da América do Sul, como abacates e maçãs, contendo resíduos de cinco substâncias no entanto já proibidas na Europa", afirmou Lecornu. Os produtos impactados incluem abacates, mangas, goiabas, cítricos, uvas, maçãs, melões, cerejas, morangos e batatas. Controles fronteiriços serão reforçados, com uma brigada especializada para fiscalizações.
A iniciativa, liderada pela ministra da Agricultura Annie Genevard, resultará em um decreto publicado na terça-feira, 6 de janeiro, pendente de aprovação da Comissão Europeia em até 10 dias. A França, maior opositora ao tratado devido ao lobby dos agricultores temerosos da concorrência sul-americana em itens como carne, arroz, mel e soja, já havia adiado a assinatura em dezembro com apoio da Itália.
O presidente brasileiro Lula, irritado com o adiamento que frustrou sua presidência rotativa no Mercosul, conversou com a premiê italiana Giorgia Meloni para remarcar a cerimônia. O Brasil ameaça abandonar as negociações se houver nova postergação, enquanto busca alternativas com Canadá, Japão, Reino Unido e Indonésia. O acordo ainda precisa de aprovação do Parlamento Europeu.