Após a exigência da França para suspender a assinatura, a UE propôs adiar seu pacto comercial negociado há muito tempo com o Mercosur até o início de janeiro de 2025 para superar a oposição da França e da Itália recém-relutante. Novas salvaguardas visam proteger os agricultores europeus, em meio a protestos e apoio à diversificação do comércio.
A assinatura planejada para este fim de semana no Brasil foi adiada para janeiro devido à recusa persistente da França – considerada « insuficiente » por Emmanuel Macron para proteger os agricultores – e às dúvidas de última hora da Itália sob Giorgia Meloni, que enfrenta pressão de sua base agrícola e figuras como Matteo Salvini.
Em uma ligação com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, Meloni afirmou que não é contra o acordo, mas precisa de tempo para abordar as preocupações dos agricultores: « Se pudermos ser pacientes por uma semana, 10 dias, ou no máximo um mês, a Itália apoiará o acordo. » Uma nota oficial italiana confirmou que ela assinará uma vez que as respostas para os agricultores sejam garantidas.
O Conselho e o Parlamento da UE aprovaram novas salvaguardas na quarta-feira: um mecanismo para suspender benefícios tarifários em caso de « distorções graves » nos setores de carne bovina, aves ou açúcar. Essas medidas não requerem aprovação do Mercosur. A presidente da Comissão Ursula von der Leyen enfatizou a diversificação do comércio diante de ameaças como o protecionismo dos EUA e dependências da China. Apoios incluem Pedro Sánchez da Espanha, Friedrich Merz da Alemanha e o presidente do Conselho Europeu António Costa.
O adiamento coincide com grandes protestos de agricultores em Bruxelas, paralisando a cidade com tratores contra o acordo e cortes na PAC. A BusinessEurope chamou o adiamento de « má notícia para as empresas ». Embora seja necessária uma maioria qualificada, concessões adicionais à Itália, como fundos agrícolas, podem ser cruciais.