Com o streaming dominando o entretenimento, novos formatos como microséries e video podcasts ganham força, impulsionados pelas preferências de espectadores mais jovens por conteúdo curto em dispositivos móveis. A Deloitte prevê que a receita de microséries dobrará para US$ 7,8 bilhões em 2026, enquanto plataformas como Netflix planejam expandir para video podcasts no próximo ano. Essas mudanças refletem hábitos em evolução, com 91% dos lares americanos possuindo assinaturas de streaming.
O cenário do entretenimento está evoluindo rapidamente, com os espectadores preferindo cada vez mais conteúdo em porções pequenas em vez de programas tradicionais de longa duração. De acordo com a Parks Associates, os lares com TV tradicional nos EUA caíram para 41%, enquanto 91% assinam serviços de streaming, gastando em média US$ 101 por mês. Esse aumento no streaming, especialmente em telefones via plataformas como YouTube, Netflix e TikTok, está impulsionando a demanda por entretenimento abreviado entre a Geração Z e millennials.
As microséries, episódios curtos de um a dois minutos, surgiram na China e agora se expandem no Reino Unido e EUA. Empresas de produção como Onset Octopus no Reino Unido se especializam no formato, e apps americanos como ReelShort, DramaBox e GoodShort oferecem dramas no estilo novela, muitas vezes em segmentos de 60 ou 90 segundos. Algum conteúdo é gratuito, mas o acesso completo exige assinaturas. O relatório Previsões de Tecnologia, Mídia & Telecomunicações 2026 da Deloitte, lançado em novembro, prevê receita in-app para microséries atingindo US$ 7,8 bilhões em 2026, ante US$ 3,8 bilhões projetados para 2025.
Executivos de mídia veem potencial em alavancar propriedade intelectual existente. Wenny Katzenstein, diretora-gerente da Deloitte, explicou que as empresas podem usar microconteúdo para "retornar ao IP que já existe", possivelmente incorporando IA generativa. O presidente dos estúdios de TV da Disney, Eric Schrier, disse à Variety sobre planos de introduzir microcontação por vídeo vertical no Disney Plus, embora os prazos sejam incertos. A Activate Consulting descobriu que 52% dos adultos americanos de 18-34 anos usaram pelo menos um app de microdrama.
Paralelamente, os video podcasts — ou vodcasts — estão em ascensão. A pesquisa de outono de 2025 da Deloitte mostrou que 27% dos consumidores americanos os assistem semanalmente, com 70% dos 50 principais podcasts de áudio oferecendo versões em vídeo, segundo a Activate. Esses formatos aprimoram a autenticidade por meio de visuais e interações entre anfitrião e convidado, atraindo millennials e Geração Z. A Netflix lançará vodcasts em 2026 por meio de parcerias com iHeartMedia, Barstool Sports e Spotify, com programas como The Breakfast Club, The Ringer NFL Show e Conspiracy Theories. O Prime Video já transmite New Heights com Jason e Travis Kelce.
Katzenstein destacou diferenças geracionais: audiências mais jovens esperam conteúdo "quando eu quero, como eu quero", forçando as empresas de mídia a se adaptarem. Vancouver emergiu como um hub de produção de microdramas, com interesse de Hollywood. Embora os procedurais tradicionais persistam, essas inovações sinalizam uma integração mais ampla de vídeo curto nos ecossistemas de streaming.