Mónica Oltra, ex-vice-presidente da Generalitat, anunciou no sábado, durante o congresso do Iniciativa, sua candidatura pelo Compromís à prefeitura de Valência nas eleições de 2027. Ela retorna à linha de frente da política quatro anos após sua renúncia, apesar de a justiça ter aberto um processo contra ela por suposto encobrimento de abusos sexuais.
Mónica Oltra reapareceu no sábado no VII Congresso do Iniciativa del Poble Valencià, um dos partidos que compõem o Compromís, em Valência, onde aceitou a nomeação da coalizão para a prefeitura nas eleições municipais de maio de 2027. "A vida e o amor vencem. Sim, aceito o desafio", disse ela para uma plateia que a aclamava com gritos de "prefeita, prefeita".
A proposta partiu do deputado Alberto Ibáñez, co-porta-voz cessante do Iniciativa: "Queremos que você seja a próxima prefeita de Valência". Oltra, que renunciou em 21 de junho de 2022 aos cargos de vice-presidente e conselheira de igualdade após ter sido denunciada, respondeu: "Obrigada por me tirarem desses quatro anos de refúgio. Venho de um silêncio muito longo".
Seu anúncio ocorre semanas depois que o Tribunal de Instrução nº 15 de Valência abriu, em 5 de março, um julgamento contra ela e 12 colaboradores por suposto encobrimento de abusos sexuais contra uma menor cometidos por seu ex-marido entre 2016 e 2017. O ex-marido foi condenado a cinco anos de prisão. A decisão judicial foi ordenada pelo Tribunal de Valência, contrariando os critérios do Ministério Público e do juiz de instrução.
Oltra denunciou "perseguição judicial" e a ascensão do "fascismo": "Cada dia de silêncio significa que os bandidos vencem". Ela pediu a proibição do excesso de riqueza: "Por que uma pessoa deveria ter mais de cinco milhões, cinco casas ou cinco carros se só tem uma bunda?". Ela usava uma camiseta com uma frase de Angela Davis.
O Compromís vê sua candidatura como um impulso contra a atual prefeita do PP, María José Catalá, e a socialista Pilar Bernabé. O porta-voz do Compromís, Joan Baldoví, confirmou contatos prévios. As reações incluem apoio da esquerda e críticas do PP, que a rotula como "acusada".