Voluntários descobriram mais de 1.000 fragmentos ósseos perto do Lago Chalco, no leste da Cidade do México, ampliando a descoberta anterior das autoridades de 317 restos mortais de pelo menos três pessoas. As descobertas, em meio à guerra contra as drogas no México e antes das partidas da Copa do Mundo, intensificam os pedidos por investigações minuciosas sobre a crise de desaparecidos.
Após a exumação inicial na semana passada — na qual a Procuradoria-Geral da Cidade do México relatou 317 elementos ósseos possivelmente de três indivíduos durante uma operação de busca em larga escala que abrangeu mais de 41.000 metros quadrados em terra e 127.000 no lago —, um coletivo de famílias que procuram parentes desaparecidos descobriu mais de 1.000 fragmentos adicionais dentro e ao redor do mesmo local do Lago Chalco, na fronteira entre o distrito de Tláhuac e o município de Chalco.
O grupo de voluntários descreveu a escala como uma 'realidade devastadora' e 'uma crise forense de dimensões incalculáveis', acusando as autoridades de quererem minimizá-la, enquanto as famílias exigem consciência global sobre a tragédia na capital. Ativistas reuniram-se com funcionários na sexta-feira, pressionando por buscas ininterruptas até que todo o local seja totalmente inspecionado.
Estes desenvolvimentos ocorrem enquanto a Cidade do México e Guadalajara se preparam para sediar jogos da Copa do Mundo em junho, referente ao torneio EUA-Canadá-México. Eles ressaltam a guerra contínua contra as drogas, que causou mais de 480.000 mortes e 130.000 desaparecimentos desde 2006. Um comitê da ONU considerou recentemente a crise de desaparecidos um 'crime contra a humanidade' devido à sua escala e ao ataque contra civis. A presidente Claudia Sheinbaum contestou o relatório, destacando novas políticas de apoio às famílias.
No estado de Jalisco, onde fica a cidade-sede Guadalajara, mais de 15.900 pessoas estão desaparecidas, um caso ligado ao Cartel Jalisco Nova Geração, acusado de recrutamento forçado e tortura. As forças mexicanas mataram o líder do cartel, Nemesio 'El Mencho' Oseguera, em fevereiro, o que alimentou a violência recente, embora a FIFA permaneça confiante no local.