Um novo modelo sugere que a lua se formou a partir de três grandes impactos na Terra primitiva em vez de uma única colisão gigante. Essa abordagem explica melhor as semelhanças composicionais entre a Terra e a lua. Pesquisadores propõem que mini-luas desses impactos se fundiram ao longo do tempo para criar nosso satélite.
A origem da lua tem intrigado cientistas há muito tempo, com a visão tradicional apontando para uma colisão massiva entre a Terra e um corpo do tamanho de Marte chamado Theia há cerca de 4,5 bilhões de anos. Esse evento, ocorrido quando o sistema solar era caótico com impactos frequentes, teria ejetado detritos que se coalesceram na lua. No entanto, as impressionantes semelhanças composicionais entre a Terra e a lua desafiam esse cenário de impacto único, pois a lua deveria conter mais material de Theia.
Philip Carter, da University of Bristol, no Reino Unido, destaca esse problema: “Isso é um grande problema para o modelo canônico.” Em um estudo publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society (DOI: 10.1093/mnras/staf2084/8342140), Carter e colegas propõem uma alternativa: uma série de três ou mais grandes impactos ao longo de alguns milhões de anos. Esses envolveram objetos variando do tamanho atual da lua a quase do tamanho de Marte, cada um gerando uma mini-lua na órbita da Terra.
Ao longo de milhares de anos, essas mini-luas se atrairiam gravitacionalmente e colidiriam, fundindo-se em uma grande lua. Carter explica: “Elas se atrairão e colidirão umas com as outras. É muito improvável que você acabe com um sistema estável com múltiplas mini-luas grandes.” Diferente de teorias anteriores de múltiplos impactos que exigiam até 20 colisões, esse modelo alcança massa orbital suficiente após apenas três impactos. “Após três impactos, colocamos massa suficiente em órbita para formar uma lua completa,” observa Carter.
Robert Citron, do Southwest Research Institute, no Colorado, vê menos impactos de forma positiva, pois mais poderiam perturbar a estabilidade das mini-luas. No entanto, impactos adicionais ajudam a média as composições dos impactadores, alinhando-se melhor com as semelhanças observadas entre Terra e lua. “Quando você tem múltiplos impactos, está fazendo a média de mais desses impactadores,” diz Citron.
O sistema Terra-lua se destaca no sistema solar, com a lua incomumente grande em relação à Terra comparada aos satélites de outros planetas. Carter favorece esse modelo, mas pede simulações avançadas para avaliar detalhes dos impactos e material ejetado. “Calcular tudo em detalhes ainda é realmente difícil de fazer,” acrescenta. Essa teoria ressalta a formação única da lua em meio ao tumulto do sistema solar inicial.