Nigéria lida com onda alarmante de fuga de cérebros

A Nigéria está a experienciar um êxodo significativo de profissionais qualificados, conhecido como o fenómeno 'japa', que ameaça o desenvolvimento nacional. Médicos, enfermeiros, engenheiros e académicos estão a partir em grande número em busca de melhores oportunidades no estrangeiro. Esta migração impactou gravemente setores chave como a saúde e a educação.

Nos últimos anos, a Nigéria tem assistido a uma onda alarmante de emigração, popularmente chamada de fenómeno 'japa'. Médicos, enfermeiros, engenheiros, académicos e artesãos qualificados estão a partir em massa, em busca de melhores oportunidades no estrangeiro. Embora a migração seja um padrão humano histórico, a escala e a velocidade atuais da perda de mão de obra qualificada na Nigéria representam agora uma ameaça ao desenvolvimento nacional.

O setor da saúde suporta o maior peso desta crise. De acordo com a Associação Médica Nigeriana, dezenas de milhares de médicos emigraram para países como o Reino Unido, Canadá, Arábia Saudita e Estados Unidos na última década. Os hospitais enfrentam graves escassez de profissionais de saúde, resultando em longos tempos de espera, pessoal sobrecarregado e taxas de mortalidade mais elevadas nos pacientes. Muitos enfermeiros veem agências de recrutamento estrangeiras como caminhos para uma vida digna, deixando instalações locais subdotadas. Os pacientes rurais lutam para aceder a cuidados básicos.

O setor da educação está igualmente afetado. Os professores universitários, frustrados com baixos salários, instalações degradadas e greves frequentes, estão a realocar-se onde a sua experiência é mais valorizada. Isso degradou a qualidade do ensino superior, ampliou lacunas de mentoria para jovens eruditos e baixou os rankings globais das universidades nigerianas.

Os campos da tecnologia e engenharia não são imunes. Os jovens talentos tecnológicos da Nigéria, outrora centrais na Silicon Savannah africana, são atraídos para o estrangeiro por firmas multinacionais que oferecem salários superiores, melhor infraestrutura e redes. As startups perdem pessoal chave, enquanto engenheiros nos setores de petróleo, gás e construção encontram poucas razões para ficar perante políticas erráticas, corrupção e inovação limitada.

Os fatores de repulsão incluem insegurança, alto desemprego, inflação, más condições de trabalho e desconfiança na governação. Para muitos, partir trata-se de dignidade, segurança e esperança, não apenas de finanças. Os jovens profissionais veem a Nigéria como um país que sufoca o talento e adia os sonhos, ao contrário dos caminhos mais claros no estrangeiro.

Os efeitos propagam-se pelas famílias e comunidades. As remessas fornecem apoio económico, mas as separações emocionais de pais e jovens drenam a vitalidade. A Nigéria investe na formação destes profissionais, apenas para que economias estrangeiras beneficiem.

Os economistas alertam que uma fuga de cérebros não controlada impedirá a inovação, a produtividade e setores como a saúde e a educação, arriscando dependência de expertise importada e minando a soberania.

Os especialistas defendem uma resposta multifacetada: investir em educação e saúde para salários justos e ambientes favoráveis; reforçar o empreendedorismo e os empregos; restaurar a segurança e a confiança na governação; e aproveitar a diáspora para transferência de conhecimento e parcerias, convertendo a fuga de cérebros em ganho de cérebros.

A Nigéria não pode permitir-se perder as suas melhores mentes — cada médico que parte significa vidas perdidas, cada professor uma geração privada, cada engenheiro uma oportunidade de crescimento perdida. É necessária ação urgente para parar o fluxo e fomentar uma nação pela qual valha a pena ficar.

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