Petro exige que Alemanha devolva peças arqueológicas colombianas

Em San Agustín, Huila, o presidente Gustavo Petro exigiu a repatriação de mais de 100 peças arqueológicas colombianas detidas na Alemanha, durante o 30º aniversário da classificação do Parque Arqueológico como Patrimônio Mundial da UNESCO. Ele reconheceu a disposição do governo alemão, mas criticou a resistência de entidades privadas. Conclamou os colombianos lá a se mobilizarem pela recuperação do patrimônio nacional.

O evento em San Agustín, Huila, marcou o 90º aniversário da criação do Parque Arqueológico e os 30 anos de sua designação como Patrimônio Mundial da UNESCO. Estiveram presentes o presidente Gustavo Petro, autoridades locais, delegados do ICANH, gestores culturais e representantes de comunidades indígenas e camponesas. Os discursos focaram na memória ancestral, na proteção do patrimônio e na repatriação de artefatos.

No discurso, Petro destacou o valor civilizatório das antigas culturas do maciço colombiano, afirmando que as raízes humanas na região remontam a pelo menos 20.000 anos. Ele contestou narrativas que rotulam os povos indígenas como migrantes recentes: «Em alguns setores da América, nos expulsam, nos acorrentam e nos ameaçam como se fôssemos recém-chegados, e nos chamam de migrantes. Como assim? Migrantes são os que chegaram há 100 ou 50 anos, não nós. Como podem chamar de migrantes os que estão aqui há 20.000 anos?».

Ele ligou a violência histórica da Colômbia à perda da memória coletiva e à negação das identidades originárias. Recordou que, durante a presidência de Alfonso López Pumarejo nos anos 1930, os parques arqueológicos foram reivindicados como símbolos de modernização. «A Colômbia perdeu sua memória várias vezes e, cada vez que perdemos a memória, repetimos os mesmos erros cometidos e caímos em ciclos de violência», afirmou.

Sobre a repatriação, Petro observou que a Alemanha devolveu alguns itens, mas mais de 100 permanecem com entidades privadas. «Primeiro, devemos falar com o governo alemão e a instituição que tem peças do nosso patrimônio; inclusive gerar uma mobilização de colombianos na Alemanha, que é uma reivindicação legítima da nação colombiana». A ministra da Cultura Yannai Kadamani confirmou um pedido diplomático por 35 peças e 110 fragmentos líticos: «Pela primeira vez, e no governo do presidente Petro, a Colômbia solicita oficialmente à Alemanha a restituição de mais de 35 peças e 110 fragmentos líticos que pertencem à nossa história».

O governador de Huila, Rodrigo Villalba, reafirmou o compromisso do departamento com o patrimônio como base para o turismo sustentável e o desenvolvimento. A diretora do ICANH, Alhena Caicedo, enfatizou a memória ancestral, científica e comunitária, reconhecendo pesquisadores como Gregorio Hernández de Alba e a persistência das comunidades locais.

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