Papa Leão XIV inicia primeira viagem à Turquia e ao Líbano

O papa Leão XIV chegou à Turquia na quinta-feira para sua primeira viagem apostólica internacional, com reuniões chave em meio às tensões no Oriente Médio. O itinerário inclui visitas a Ancara e Istambul antes de seguir para o Líbano, apesar dos recentes bombardeios na área. Esta jornada destaca o papel da diplomacia pontifícia em zonas de conflito e minorias cristãs.

O papa Leão XIV pousou no Aeroporto Internacional de Istambul-Atatürk às 10:22 de quinta-feira, recebido pelo ministro da Cultura e Turismo, Mehmet Nuri Ersoy. Sua agenda na Turquia começou com uma visita ao Mausoléu de Mustafa Kemal Atatürk, onde escreveu no livro de honra: «Agradeço a Deus por poder visitar a Turquia e invoco uma abundância de paz e prosperidade para este país e seu povo».

À tarde, no Palácio Presidencial, ele se reuniu com o presidente Recep Tayyip Erdogan. Este condenou os bombardeios israelenses contra igrejas em Gaza e prometeu cooperar com o papa para salvaguardar a «identidade histórica de Jerusalém Oriental». Erdogan afirmou: «Nossa maior dívida com os palestinos é a justiça». Ele também destacou que a Turquia abriga 3,6 milhões de refugiados sírios há 13 anos e ucranianos que fogem da invasão russa.

O pontífice visitou a Biblioteca Nacional, a Presidência de Assuntos Religiosos (Diyanet) e a Nunciatura Apostólica antes de seguir para Istambul. Lá, ele se encontrará com o patriarca Bartolomeu I na Igreja Patriarcal de São Jorge para rezar o Pai-Nosso e assinar uma declaração doutrinal conjunta. Este encontro recorda o histórico abraço entre Paulo VI e Atenágoras em 1976, após a revogação das excomunhões do cisma de 1054.

Um destaque será em Iznik, a antiga Niceia, para comemorar o 1700º aniversário do primeiro concílio ecumênico de 325 d.C., que deu origem ao Credo de Niceia. A Turquia, com sua tradição laica e população esmagadoramente muçulmana (mais de 90 %), posiciona o catolicismo como uma minoria dentro de minorias, com cerca de 10.000 fiéis latinos e comunidades menores.

A viagem termina no Líbano de 30 de novembro a 2 de dezembro, recebido pelo presidente Joseph Aoun, um cristão maronita. Apesar da crise econômica e dos recentes ataques israelenses em Beirute, o papa visitará o local do porto da explosão de 2020 que matou mais de 200 e deixou 300.000 desabrigados. Nesta nação, onde os cristãos representam 40-45 % da população e os maronitas somam 1,4 milhão, ele enfatizará a convivência entre as fés em meio a interferências externas e ao enfraquecimento do Hezbollah.

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