Cerca de cem pessoas reuniram-se à porta do escritório do Parlamento Europeu em Madrid para exigir a expulsão de Israel do programa Horizon Europe. Os manifestantes denunciam que a União Europeia financia um genocídio com dinheiro público ao permitir a participação de Israel nesta iniciativa de investigação. O protesto foi replicado em mais de 20 cidades europeias.
O protesto realizou-se esta tarde no número 46 do Paseo de la Castellana, em Madrid, organizado pela Acampada por Palestina. Cânticos como «Israel asesina, Europa patrocina» e «si Horizon no para, volverá la intifada» ecoaram entre os participantes, que transportavam cartazes a criticar a colaboração das universidades de Madrid com entidades israelitas, como a Universidad Complutense com 10 contratos ativos.¶n¶nRicci Galiano, porta-voz da Acampada por Palestina Madrid, explicou que Israel participa no Horizon Europe como país associado, com direitos equivalentes aos dos Estados-membros da UE. O programa, que distribui 95,5 mil milhões de euros de 2021 a 2027, concedeu a Israel 3 mil milhões de euros nos últimos dez anos e 1,1 mil milhões no ciclo 2021-2024. «Dado o contexto após 7 de outubro de 2023, consideramos que Israel deve ser afastado da distribuição destes fundos porque neste momento estamos a pagar um genocídio com dinheiro público», denunciou Galiano.¶n¶nOs ativistas destacam o 'duplo uso' da investigação financiada: projetos civis que poderiam ser direcionados para fins militares, incluindo tecnologia de drones, armamento de empresas como Elbit e Israel Aerospace Industries, sistemas de vigilância e censura por IA. Citam o exemplo da Rússia, expulsa do Horizon Europe após a invasão da Ucrânia em 2022, como precedente.¶n¶nJaime Pérez, trabalhador do CSIC, afirmou: «A cidadania não pode ficar em silêncio e Israel deve assumir os massacres que cometeu.» Beatriz Payo, estudante da UC3M, acrescentou: «A União Europeia é uma das principais entidades que branqueia o sionismo.» A mobilização, que terminou por volta das 18:40 com a leitura de um comunicado e sinalizadores, faz parte de uma campanha coordenada por cerca de 40 coletivos em 30 cidades europeias, com protestos em locais como Dublin, Paris e Barcelona.¶n¶nAcampada por Palestina, surgida após os protestos universitários de outubro de 2023, exige a rutura total das colaborações com Israel e o isolamento em todos os planos. Não apresentaram uma exigência formal à UE, devido à falta de vontade institucional para agir, especialmente num contexto de rearmação militar em que Israel é um fornecedor chave de armas.