Pablo Gallart, CEO da Ribera Salud, pediu para ser afastado da gestão do Hospital de Torrejón de Ardoz após a divulgação de áudios em que ordenava aumentar as listas de espera para maximizar lucros. O grupo anunciou uma auditoria profunda para verificar o cumprimento de normas éticas e legais. A notícia provocou reações imediatas do governo regional e da oposição política.
O escândalo rebentou a 3 de dezembro de 2025, quando o EL PAÍS revelou áudios de uma reunião de 25 de setembro em que Pablo Gallart, CEO da Ribera Salud, instruiu cerca de 20 executivos do Hospital de Torrejón a reverter os esforços anteriores para reduzir as listas de espera. Nas gravações, Gallart afirmou: «Em Torrejón em 2022 e 2023 decidimos como organização fazer um esforço para baixar a lista de espera. A única coisa que peço é: voltemos pelo caminho de onde viemos.» Explicou que a empresa deve selecionar intervenções para atingir um EBITDA de quatro ou cinco milhões, destacando a «elasticidade direta» entre listas de espera e resultados financeiros, e que a organização é «capaz de determinar a atividade» que pode fornecer.
Em resposta, a Ribera Salud emitiu um comunicado nessa noite anunciando que Gallart se afasta das suas responsabilidades no hospital enquanto é realizada uma «auditoria profunda» para garantir que «não ocorreu nenhuma violação dos padrões de qualidade nos cuidados aos pacientes, da ética profissional ou da lei». O grupo reafirmou que a sua «prioridade absoluta», juntamente com a do acionista Vivalto Santé, são os pacientes, mantendo o compromisso com o sistema de saúde pública após 26 anos de história.
A Direção Regional de Saúde de Madrid, sob Isabel Díaz Ayuso, convocou de urgência a direção do hospital e comprometeu-se a tomar medidas, embora não tenham sido detetadas violações contratuais até ao momento. Solicitarão uma nova reunião com o principal executivo da empresa. Da oposição, o presidente Pedro Sánchez criticou o modelo do PP no X: «Este é o modelo do PP: transformar a saúde num negócio e a doença numa oportunidade para enriquecer.» A ministra Mónica García acusou Ayuso de colocar «o dinheiro acima das vidas», e o Más Madrid está a preparar ações judiciais. O PSOE-M, via Óscar López, vai estudar opções judiciais e exigir a comparência da conselheira de Saúde Fátima Matute na Assembleia, chamando-lhe uma «vergonha absoluta».