O Senado da Argentina realizou uma audiência pública para a extensão de cinco anos do mandato do juiz Carlos Mahiques no Tribunal Federal de Cassação, marcada por confrontos entre a bancada governista e a oposição. Senadores kirchneristas questionaram a legalidade do processo e a composição da comissão, enquanto Mahiques defendeu seu histórico e rejeitou acusações sobre a viagem a Lago Escondido. O oficialismo e aliados reuniram assinaturas para um parecer favorável.
A audiência da Comissão de Acordos do Senado revelou tensões políticas antes mesmo da apresentação de Carlos Mahiques. A senadora Juliana Di Tullio afirmou que a Unión por la Patria carece de representação adequada na comissão e entrou em conflito com Patricia Bullrich: “Tranquila Patricia, solo estoy contando lo que hacen ustedes. Estoy contando lo que dice el reglamento, te guste o no”.
Mahiques, no judiciário desde 1974 e nomeado em 2018, solicitou a extensão de cinco anos sob o parágrafo 4 do artigo 99 da Constituição, aproximando-se dos 75 anos de idade. Enfrentando perguntas de Anabel Fernández Sagasti e Martín Soria sobre sua viagem a Lago Escondido, o juiz a classificou como uma “viaje de amigos” sem financiamento corporativo e observou a absolvição judicial sem violações éticas.
Os opositores citaram a decisão da Suprema Corte no caso Bertuzzi contra transferências não competitivas e desafios da ACIJ e do INECIP, considerando a medida inconstitucional. Mahiques defendeu sua transferência durante a era Macri como institucionalmente aprovada e rejeitou alegações ideológicas: “No me hago cargo de imputaciones a un supuesto grupo de jueces trasladados”.
Apesar dos confrontos, o La Libertad Avanza, a UCR e aliados assinaram um parecer favorável, pronto para o plenário da câmara, possivelmente no dia 29 de abril.