O governo da África do Sul anunciou uma campanha nacional de vacinação direcionada a todo o seu rebanho de 7,2 milhões de cabeças de gado para combater os surtos contínuos de febre aftosa. A iniciativa, liderada pelo ministro John Steenhuisen, visa garantir reconhecimento internacional e proteger a indústria pecuária. O lançamento começará no início do próximo ano, começando pelas províncias mais afetadas.
Em 26 de novembro de 2025, o ministro da Agricultura John Steenhuisen anunciou uma grande mudança de política na conferência da African Farmers Association of South Africa em Pretória. O governo vacinará todo o rebanho bovino nacional contra a febre aftosa (FMD), afastando-se dos esforços anteriores de contenção que se mostraram ineficazes.
"O Ministério da Agricultura mudou de política, e vamos vacinar todo o rebanho nacional na África do Sul contra o que está vindo agora. Isso será essencial se quisermos controlar a doença. O que temos feito até agora não funcionou", declarou Steenhuisen. O Departamento de Agricultura planeja solicitar à Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) o reconhecimento como livre de FMD com vacinação uma vez que o lançamento atinja escala suficiente.
O rebanho bovino da África do Sul tem cerca de 7,2 milhões de cabeças, incluindo fazendas comerciais e de subsistência. Até fevereiro de 2026, o departamento espera a entrega de dois milhões de doses de vacina em duas remessas. Para reduzir a dependência de importações, uma nova instalação de produção de vacinas em escala média está em desenvolvimento como parte do programa nacional de biossegurança. Nos últimos três meses, 931.200 animais foram vacinados usando estoques governamentais, mas movimentos de animais não controlados continuam a dificultar a contenção.
A crise é mais grave em KwaZulu-Natal (KZN), com 180 dos 274 surtos não resolvidos lá, particularmente em distritos como Kokstad, Dundee, Underberg e Dannhauser. Outras províncias afetadas incluem Gauteng, Free State, Mpumalanga e North West, que devem enviar números de gado e listas de fazendas em quarentena. A estratégia prioriza essas áreas primeiro.
Wandile Sihlobo, economista-chefe da Câmara de Negócios Agrícolas (Agbiz), elogiou a medida: "Esta decisão é corajosa, pois garante que a África do Sul proteja seu rebanho de gado e possa continuar focando nas exportações de carne vermelha. O desafio agora será a logística deste trabalho, bem como reengajar os mercados para os quais exportamos."
A capacidade do governo foi enfraquecida pelo declínio da Onderstepoort Biological Products (OBP). Os esforços incluem parcerias público-privadas com o Agricultural Research Council e parceiros internacionais como China e Argentina para apoio em vacinas. Não foram fornecidas estimativas de custo, mas a iniciativa busca proteger as exportações de carne bovina, as finanças dos produtores e os preços da carne vermelha em meio à crise.