Dois homens armados invadiram a Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, na manhã deste domingo (7), roubando oito gravuras de Henri Matisse e cinco de Candido Portinari. O roubo ocorreu no último dia de uma exposição que celebrava o centenário da instituição. As obras, parte de acervos históricos, têm grande valor cultural e já haviam sido alvo de furto anteriormente.
Na manhã de domingo, 7 de dezembro de 2025, por volta das 10h15, dois homens armados entraram na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, localizada no bairro da Consolação, região central de São Paulo. A biblioteca estava aberta ao público, e o incidente ocorreu durante o último dia da exposição 'Do Livro ao Museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade', que exibia livros raros e obras das décadas de 1940 e 1950.
Um dos ladrões aproximou-se de uma segurança desarmada, revelando uma arma escondida sob a blusa, e a levou a uma sala onde confiscou seu rádio de comunicação e celular. Enquanto isso, o cúmplice removeu oito gravuras do livro 'Jazz', de Henri Matisse, das paredes: 'O Palhaço' (Le Clown), 'O Circo' (Le Cirque), 'Senhor Leal' (Monsieur Loyal), 'O Pesadelo do Elefante Branco' (Cauchemar de l'Eléphant Blanc), 'Os Codomas' (Le Codomas), 'O Nadador no Aquário' (La Nageuse Dans l'Aquarium), 'O Engolidor de Palavras' (L'avaleur de Sabres) e 'O Cowboy' (Le Cowboy). Além disso, foram levadas cinco gravuras de Candido Portinari da série 'Menino de Engenho', ilustrações do livro de José Lins do Rego, editado em 1959 pela Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil.
Não houve vítimas nem disparos de tiros. Os suspeitos fugiram em direção ao metrô Anhangabaú. Um vestia calça jeans surrada e camisa vermelha; o outro, calça jeans, blusa de moletom azul e boné azul. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) confirmou o roubo, e Cauê Alvez, curador-chefe do MAM, validou as obras furtadas em entrevista ao Fantástico.
As gravuras de Matisse, criadas durante a Segunda Guerra Mundial com recortes de papel colorido devido à saúde debilitada do artista, representam um marco do fauvismo e da resistência cultural contra o nazismo. Há 250 exemplares de 'Jazz' no mundo, com apenas dois no Brasil; este foi adquirido no final dos anos 1940 e impulsionou a criação do MAM-SP. Curiosamente, o álbum já havia sido furtado da biblioteca, descoberto em 2006 na fronteira com a Argentina em um lote de livros raros, e substituído por falsificações grosseiras por anos, até ser recuperado em 2015 após perícia da Polícia Federal.