A União Industrial Argentina (UIA) emitiu um comunicado expressando preocupação com a situação do setor manufatureiro, destacando a complexidade do modelo econômico atual. No programa 'QR!' do Canal E, especialistas como Guido Bambini e Pablo Caruso analisaram o documento, apontando quedas na produção, emprego e capacidade instalada. De acordo com dados da ONU, a Argentina registrou a segunda maior queda industrial no mundo entre 2023 e 2025.
A União Industrial Argentina (UIA) divulgou um comunicado intitulado “Sem indústria não há Nação”, frase atribuída a Carlos Pellegrini, expressando preocupação com a situação de diversos setores industriais e províncias. O documento reconhece avanços no equilíbrio fiscal, redução da inflação e reformas estruturais do governo, mas alerta para uma transição não homogênea para as PMEs, com níveis baixos de atividade, pressão fiscal, dificuldades de financiamento e perdas de empregos. nnNo programa 'QR!' do Canal E, exibido nos dias 4 e 5 de março de 2026, o comunicado foi analisado. O economista Guido Bambini questionou o modelo atual, afirmando: “O modelo atual é muito complexo para a indústria.” Ele destacou que a indústria representa 17% do PIB, mais de 20% da arrecadação tributária e gera 1.200.000 empregos diretos. No entanto, observou que a UIA se exime de responsabilidade por distorções anteriores. nnOs dados apresentados mostram a capacidade instalada industrial atual em 58%, com um mínimo de 55% nos primeiros meses do governo de Javier Milei, 14 pontos abaixo da média na era Macri. Entre 2019 e 2023, foram criadas 1.697 empresas manufatureiras e adicionados 121.630 empregos, mas de novembro de 2023 ao final de 2025, 2.436 empresas industriais foram destruídas e quase 73.000 postos registrados perdidos. nnUm relatório da ONU indica que a Argentina teve a segunda maior queda industrial entre 2023 e 2025, de 7,9%, atrás apenas da Hungria, enquanto países regionais como Brasil (+3,5%), Chile (+5,2%), Peru (+6,5%) e Uruguai (+3,7%) cresceram. Bambini atribuiu isso à abertura de importações e câmbio fixo. nnExemplos incluem a Peabody pedindo concurso de acredores, a La Suipachense falida após 70 anos, a Electrolux reduzindo de 700 para 200 funcionários, e o fechamento do frigorífico San Roque em Morón, afetando 140 trabalhadores. No total, esses casos impactam cerca de 1.000 funcionários. nnPablo Caruso, apresentador do programa, criticou o silêncio anterior da UIA e falou da “síndrome Francella”, ironizando seu posicionamento tardio. Ele apontou contradições no comunicado, que elogia a macroeconomia mas descreve uma crise micro, e questionou a representatividade do presidente da UIA, Martín Rappallini, em meio a tensões com incentivos como o RIGI.