Trabalhadores do sistema de Justiça Nacional ocuparam a sede da Justiça do Trabalho em Buenos Aires na terça-feira para protestar contra a reforma trabalhista. A União dos Empregados da Justiça da Nação (UEJN) anunciou uma greve em rejeição à transferência da jurisdição trabalhista para a órbita da Capital Federal. O evento contou com a participação da CGT e figuras políticas de oposição.
Na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, funcionários e sindicalistas do sistema de Justiça Nacional iniciaram uma greve com mobilização em defesa da Justiça do Trabalho Nacional e em rejeição à chamada modernização trabalhista. A ação envolveu a ocupação da sede da Justiça do Trabalho na Cidade de Buenos Aires, organizada pela União dos Empregados da Justiça da Nação (UEJN). A protesto concentra-se na oposição à transferência da justiça trabalhista para a jurisdição da Cidade Autônoma de Buenos Aires, como previsto na reforma trabalhista. O lema da medida é: “Em defesa da jurisdição trabalhista, contra a transferência da Justiça Nacional e pela garantia da estabilidade no emprego para todos os trabalhadores”. A diretoria nacional da UEJN emitiu um comunicado convocando os trabalhadores judiciais de todo o país a aderirem. Em frente ao Palácio da Justiça na Plaza Lavalle, os manifestantes montaram um palco na calçada e exibiram faixas junto com fotos dos legisladores que votaram a favor da reforma trabalhista, em um ato de escrache. Um orador do palco exclamou: “Ali está a foto de cada deputado e senador que traiu os trabalhadores, que nem se deu ao trabalho de ler a lei”. Julio Piumato, líder dos funcionários judiciais, declarou: “Toda a comunidade jurídica está unânime contra isso. Estão montando uma pseudo jurisdição só para empregadores, é a morte dos direitos trabalhistas. Na Cidade de Buenos Aires, a Justiça faz o que o Governo da Cidade quer. Quem governa a Cidade controla a Justiça”. O comunicado da UEJN acrescenta que o Governo busca “colonizar o Poder Judiciário para colocá-lo a serviço dos grandes grupos econômicos. Pretendem fechar a Justiça do Trabalho Nacional para substituí-la por uma justiça reduzida ao âmbito da Capital Federal”. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) aderiu ao evento com membros de seu Comitê Diretivo Nacional e dezenas de organizações sindicais, expressando solidariedade. Piumato enfatizou: “Muitos sindicatos da CGT, organizações e legisladores aderiram, porque essa luta é pela justiça social. Esse projeto de lei, que certamente será aprovado na sexta-feira, vai devastar os direitos consagrados no artigo 14 bis e 75 inciso 22 da Constituição Nacional”. Ele acrescentou: “Agora é a vez da Justiça cumprir seu papel de controle constitucional”. Representantes da oposição, como as deputadas Myriam Bregman e Romina del Plá, e o deputado Néstor Pitrola, da Frente de Esquerda, participaram do evento. Bregman disse: “Estou acompanhando, com essa reforma querem destruir a capacidade dos trabalhadores de reivindicar. É algo que Mauricio Macri quer fazer há anos, tomar o controle da justiça trabalhista para favorecer seus amigos empresários”. Ela concluiu: “Não posso esperar nada do Senado, espero construir a força social necessária para derrotar essa reforma”.