Operativos da resistência e da inteligência militar ucraniana usaram identidades românticas on-line fabricadas — por vezes fingindo serem mulheres — para convencer soldados russos a compartilhar detalhes que foram posteriormente usados para guiar ataques de drones, segundo uma reportagem da The Atlantic.
Um oficial da inteligência militar ucraniana identificado como Serhiy posou on-line como uma dona de casa de 35 anos em um casamento infeliz e passou meses trocando mensagens de WhatsApp com um comandante checheno chamado Achmad, que estava estacionado em algum lugar no sul da Ucrânia ocupado pela Rússia, informou a The Atlantic.
As mensagens começaram com uma conversa pessoal antes de mudarem para a linha de frente. Mais tarde, Achmad enviou uma fotografia tirada dentro de seu quartel que, segundo a The Atlantic, mostrava um mapa do complexo ao fundo. As coordenadas visíveis na imagem foram posteriormente atingidas por um drone ucraniano.
O comandante de Serhiy o descreveu como hábil na abordagem. “Serhiy era ótimo em flertar”, disse o comandante à The Atlantic, acrescentando que os companheiros de equipe começaram a pedir conselhos de namoro a ele.
A The Atlantic afirmou que muitos dos agentes ucranianos envolvidos nessas operações têm treinamento formal limitado e muitas vezes dependem de manuais de espionagem impressos, em vez de materiais digitais que poderiam ser interceptados. Um desses manuais descrevia táticas de “catfishing” da CIA na África durante a Guerra Fria, diz a reportagem.
Vários ucranianos entrevistados pela The Atlantic citaram assassinatos de civis e violência sexual durante a invasão russa em grande escala como motivação pessoal. A reportagem citou uma médica de um hospital de Kiev, Tetyana Kostyantynivna, dizendo que sua unidade tratou sobreviventes de agressão sexual de territórios ocupados em 2022 e 2023, com idades variando de 4 a 75 anos.