Os Estados Unidos deixaram claro que se oporão a qualquer resultado do G20 além de uma declaração da presidência no próximo cume de Joanesburgo, escurecendo as perspectivas de uma declaração consensual dos líderes. Essa posição, combinada com ausências de líderes chave incluindo Donald Trump, Xi Jinping e outros, ameaça enfraquecer os resultados do evento. O cume, marcado para 22-23 de novembro em Nasrec, marca a primeira vez que a África sedia o fórum.
O Cume do G20 na África do Sul, agendado para 22-23 de novembro de 2025 no Johannesburg Expo Centre em Nasrec, enfrenta desafios significativos para produzir uma declaração tradicional dos líderes. Os Estados Unidos enviaram uma nota esclarecedora através dos sherpas do G20, afirmando que se oporão a qualquer coisa além de uma declaração da presidência, como um sherpa informou a outros países. Essa posição, articulada no fim de semana, diminuiu consideravelmente as perspectivas já enfraquecidas de um documento de consenso completo, possivelmente tornando este o primeiro cume desde 2008 sem um.
O presidente Donald Trump anunciou que nenhum oficial do governo dos EUA participará, uma medida ecoada pelo presidente argentino Javier Milei, que enviará o ministro das Relações Exteriores Pablo Quirno em seu lugar. Outras ausências notáveis incluem o presidente chinês Xi Jinping (representado pelo primeiro-ministro Li Qiang), a presidente mexicana Claudia Sheinbaum Pardo e o presidente russo Vladimir Putin (enviando o chefe adjunto do gabinete Maxim Oreshkin). Um diplomata do G20 indicou que o cume provavelmente concluirá com uma declaração da presidência destacando acordos alcançados por consenso em questões específicas.
O sherpa do G20 da África do Sul, diretor-geral Zane Dangor, está presidindo uma reunião esta semana de sherpas de países membros e convidados para abordar essas questões. John Kirton, diretor do G20 Research Group na Universidade de Toronto, descreveu uma declaração da presidência como um 'retiro maior', especialmente sem acordo prévio de todos os membros. Ele previu um cumprimento historicamente baixo dos compromissos devido a líderes ausentes e alertou para uma atenção e influência global reduzidas.
Grupos da sociedade civil, através do movimento We the 99 e do Civil 20, lançaram um Cume Popular de 20-22 de novembro para contrabalançar o G20, exigindo prioridades como justiça climática, alívio da dívida e tributação de bilionários. Um relatório da Comissão sobre Desigualdades observou que 83% dos países enfrentam alta desigualdade de riqueza, afetando 90% da população global. Organizadores como Mazibuko Jara enfatizaram a tributação justa para abordar disparidades gritantes, enquanto Sekoetlane Phamodi destacou a dívida externa da África de US$ 685,5 bilhões em 2023.
A professora Jayati Ghosh, membro do Comitê Extraordinário do G20 sobre Desigualdade Global presidido por Joseph Stiglitz, alertou que a presidência dos EUA entrante em 2026 poderia diminuir ainda mais o G20 ao estreitar seu foco, potencialmente tornando-o irrelevante para preocupações globais mais amplas.