O ator galego Celso Bugallo, vencedor do Goya de melhor ator secundário em «Mar adentro», faleceu a 20 de dezembro em Pontevedra, aos 78 anos. Com uma longa carreira no teatro e no cinema, estreou-se no grande ecrã aos 52 anos e participou em mais de 50 produções audiovisuais. A sua cremação terá lugar este domingo em estrita privacidade.
Celso Bugallo Aguiar nasceu a 1 de janeiro de 1947 em Vilalonga, uma paróquia de Sanxenxo em Pontevedra, Espanha. Embora inicialmente sonhasse em ser futebolista, a sua paixão pela representação o levou ao teatro nos anos 1970. Fez parte de grupos independentes como Adefesio Teatro Estudio e Lope de Rueda, e fundou e dirigiu a JUBY, que venceu o Prémio Nacional de Comédia Teatral em 1976 com «El retablo del flautista». No final dos anos 1970, cofundou o grupo galego Olimpo. Nos anos 1990, criou a AFAP (Aula de Formação de Atores de Pontevedra), dirigindo produções em galego.
A sua estreia no cinema chegou tarde, em 1999 aos 52 anos, com «La lengua de las mariposas» de José Luis Cuerda. Tornou-se rapidamente num ator secundário essencial no cinema espanhol. Papéis de destaque incluem Amador em «Los lunes al sol» (2002) de Fernando León de Aranoa, um personagem austero e simples que lhe trouxe popularidade; «El lápiz del carpintero» (2003) de Antón Reixa; e «La vida que te espera» (2004) de Manuel Gutiérrez Aragón.
Em 2004, interpretou José Sampedro, o irmão do protagonista em «Mar adentro» de Alejandro Amenábar, vencendo o Goya de melhor ator secundário. O filme recebeu também o Óscar de melhor filme em língua estrangeira. Outros trabalhos notáveis incluem «La noche de los girasoles» (2006), pelo qual ganhou o prémio CEC de melhor ator secundário; «Palmeras en la nieve» (2015); e «El buen patrón» (2021) de León de Aranoa, que lhe valeu outra nomeação ao Goya.
Bugallo era também habitual na televisão, participando em séries como «Mareas vivas», «Rías Baixas», «Periodistas», «Los hombres de Paco», «El incidente» e «Fariña». O seu último trabalho foi na minissérie «El caso Asunta» e no filme «Estación Rocafort» no ano passado.
A vida de Bugallo foi marcada pelo exílio familiar: o seu pai, mecânico, foi preso durante a era Franco, levando a família a emigrar para Bilbao e depois para Logroño nos anos 1950. Lá, inspirado por James Dean em «Rebel Without a Cause», decidiu seguir a representação. Regressou à Galiza em 1978 após o casamento. «Lembro-me de que estava em Amesterdão e José Luis Cuerda procurava-me. [...] Pareceu-me um milagre», contou em 2020 sobre a sua estreia.