A atriz e modelo Vera Valdez, conhecida artisticamente como Vera Barreto Leite, faleceu nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, aos 89 anos, em São Paulo. Ela sofria de complicações de insuficiência pulmonar e estava internada após um acidente doméstico. A notícia foi divulgada pelo Teatro Oficina, onde ela brilhou por décadas.
Vera Valdez, nome artístico de Vera Barreto Leite, nasceu em 1936 no Rio de Janeiro, em uma família de diplomatas e artistas. Filha da atriz Maria Barreto Leite, cresceu imersa no mundo do teatro e da boemia. Aos 15 anos, em 1952, mudou-se para Paris, onde chamou a atenção da estilista Elsa Schiaparelli e trabalhou como modelo. Logo se firmou como uma das primeiras top models brasileiras, desfilando para Christian Dior, Victoire Doutreleau e, em 1954, aos 17 anos, para o retorno de Coco Chanel após 14 anos de ausência, ao lado de Marie-Hélène Arnaud.
Embora tenha sido demitida da Chanel por faltas, voltou a desfilar para a grife em 1971. No Brasil, colaborou com marcas como Maison Canadá e o estilista Dener Pamplona de Abreu. Nos anos 1950, casou-se com o ator Luís Linhares, com quem teve a filha Paula, mas se separaram após ela posar nua para uma revista. Na década seguinte, namorou cineastas como Louis Malle e Roger Vadim, e se casou com Pedro de Moraes, filho de Vinícius de Moraes, gerando a filha Mariana de Moraes, também atriz.
Valdez foi uma das fundadoras da TV Globo em 1965 e atuou em filmes como 'O Homem Nu' (1968), de Roberto Santos, 'As Cariocas' (1966), de Walter Hugo Khouri, e mais recentemente 'Luz nas Trevas' (2012) e 'A Alegria É a Prova dos Nove' (2023), de Helena Ignez. Seu último papel foi em 2024, no filme 'Tia Virgínia', com Vera Holtz.
Durante a ditadura militar nos anos 1970, sofreu perseguição: presa por porte de cocaína, torturada no Doi-Codi e internada em hospital psiquiátrico. Exilou-se na França com ajuda de Bernardo Bertolucci e Louis Malle, retornando em 1982 com a anistia. Nos anos 1980, juntou-se ao Teatro Oficina, atuando em peças como 'As Bacantes', 'Os Sertões', 'Navalha na Carne' e 'Rei da Vela' (2018). Há dois anos, estrelou 'Vozes Humanas', versão de 'A Voz Humana', de Jean Cocteau, a quem conheceu nos anos 1950.
Tratava insuficiência pulmonar há um ano e sofreu um acidente doméstico na semana passada, levando à internação. O Teatro Oficina anunciou: “Hoje à tarde Vera partiu. Voa, Vera! Etherna! Muito amor por essa maneca”. Artistas como Debora Bloch e Matheus Nachtergaele lamentaram nas redes. O velório ocorre quinta-feira (15) no centro de São Paulo. Deixa duas filhas, uma neta e quatro bisnetos.