José Luis Cienfuegos, diretor da Semana Internacional de Cinema de Valladolid (Seminci), morreu a 2 de dezembro de 2025, aos 60 anos, vítima de uma hemorragia cerebral em Madrid. Nascido em Avilés, transformou festivais de cinema espanhóis chave ao longo de três décadas. O seu legado inclui a renovação dos eventos em Gijón, Sevilla e Valladolid.
José Luis Cienfuegos, nascido em Avilés em 1964, começou a carreira no departamento de imprensa do Festival de Gijón nos anos 1990. Em 1995, assumiu a direção do evento asturiano, ficando 16 anos até 2011, transformando-o numa referência do cinema independente e contemporâneo. Introduziu em Espanha cineastas como Aki Kaurismäki, Abbas Kiarostami e Todd Haynes, e promoveu ciclos de novos cinemas.
Em 2012, passou a dirigir o Festival de Sevilla, fortalecendo os laços com a indústria europeia e espanhola. Chegou à Seminci em 2023, dirigindo três edições, incluindo a 70.ª, considerada uma das mais bem-sucedidas. Sob a sua liderança, o festival recuperou público e apostou em documentários e programação heterodoxa, vendo-o como um espaço de diálogo e encontro.
Cienfuegos foi internado num hospital de Madrid na noite de 1 de dezembro e morreu no dia seguinte devido a um aneurisma cerebral. O funeral realizar-se-á em Oviedo, onde reside a sua família, e a Seminci organizará uma homenagem. «Um festival não é só um lugar para ver filmes. Acima de tudo, é um espaço de encontro, diálogo, confronto também, e sempre, sempre, reconhecimento», costumava dizer.
O mundo do cinema expressou condolências. O mayor de Valladolid, Jesús Julio Carnero, descreveu-o como «um amante da vida e das pessoas, um entusiasta cheio de ilusão». Jaume Ripoll da Filmin chamou-lhe «o melhor diretor de festival do nosso país nos últimos 25 anos». Instituições como o Ministério da Cultura, a Academia de Cinema e festivais como San Sebastián e Málaga lamentaram a sua perda, destacando o seu compromisso com o cinema de autor.