Beatriz de Moura, fundadora da Tusquets Editores e figura fundamental no mercado editorial espanhol, morreu em Barcelona na sexta-feira, aos 87 anos. A editora anunciou seu falecimento nas redes sociais, descrevendo-a como uma 'mulher brilhante e sem preconceitos, cosmopolita e combativa'. Ela liderou o selo por mais de quatro décadas, que pertence ao Grupo Planeta desde 2012.
A Tusquets Editores declarou em nota: «Lamentamos anunciar que Beatriz de Moura (1939-2026), fundadora e diretora literária da Tusquets Editores, nos deixou hoje; uma mulher brilhante e sem preconceitos, cosmopolita e combativa, precursora de tantas coisas e alma da editora».
Nascida no Rio de Janeiro em 1939, filha de um diplomata, De Moura viveu em vários países antes de chegar a Barcelona em 1956, ainda adolescente. Ela aprendeu o ofício editorial na década de 1960, trabalhando na Editorial Gili, Salvat e Lumen, onde conheceu Esther Tusquets. Em 1969, fundou a Tusquets com seu primeiro marido, o arquiteto Óscar Tusquets, começando com 165 mil pesetas em um apartamento da família.
Coleções iniciais como Cuadernos Ínfimos e Cuadernos Marginales se destacaram pelo design inovador. Em 1970, publicou Relato de un náufrago, de Gabriel García Márquez, o primeiro best-seller do selo. Em 1977, lançou La Sonrisa Vertical com Luis García Berlanga. A Tusquets publicou autores como Jorge Semprún, Almudena Grandes, Fernando Aramburu, Milan Kundera — cujas obras ela mesma traduziu — e John Irving, abrindo a cultura espanhola para o mundo.
De Moura recebeu a Cruz de Sant Jordi em 2006 e doou sua biblioteca para a Universitat Pompeu Fabra e o arquivo da editora para a Biblioteca Nacional de España em 2017. Ela foi um pilar do boom cultural da Espanha na década de 1970, durante a transição da ditadura de Franco.