A Suprema Corte da Finlândia condenou a parlamentar Päivi Räsänen e o bispo luterano Juhana Pohjola por insultar um grupo com base na orientação sexual por causa de um panfleto da igreja de 2004. Em uma decisão de 3 a 2, o tribunal ordenou a remoção de declarações específicas do panfleto e impôs multas à dupla e à fundação editora. Räsänen planeja recorrer à Corte Europeia de Direitos Humanos.
A Suprema Corte da Finlândia decidiu na quinta-feira, em uma votação dividida de 3 a 2, que Päivi Räsänen, membro do parlamento de longa data e ex-ministra do Interior, e o bispo Juhana Pohjola violaram o código penal do país ao produzir e manter disponível um panfleto considerado insultuoso a homossexuais com base em sua orientação sexual. O panfleto, intitulado “Homem e mulher Ele os criou”, foi publicado em 2004 para discutir visões bíblicas sobre casamento e sexualidade em meio a debates sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ele possui 25 páginas, de acordo com detalhes do tribunal relatados por veículos que cobrem o caso. A corte ordenou a remoção e destruição de 11 declarações específicas do acesso público. Räsänen enfrenta uma multa de cerca de € 1.920 (US$ 2.079), Pohjola € 1.170 (US$ 1.270) e a fundação editora € 5.300 (US$ 5.775). As condenações decorrem de acusações feitas após uma postagem de Räsänen nas redes sociais em 2019, na qual questionava a participação de sua igreja luterana na Parada do Orgulho de Helsinque, que incluía um versículo bíblico de Romanos. Os promotores expandiram o caso para incluir o panfleto e uma entrevista de rádio. Tribunais inferiores os absolveram por unanimidade em 2022 e 2023, mas os promotores recorreram à Suprema Corte. O tribunal superior manteve a absolvição em relação à postagem do versículo bíblico, decidindo que ela não incitava ao ódio. “Estou chocada e profundamente desapontada com o fato de o tribunal não ter reconhecido meu direito humano fundamental à liberdade de expressão”, disse Räsänen após o veredito. “Mantenho os ensinamentos da minha fé cristã e continuarei a defender o meu direito e o de qualquer pessoa de compartilhar suas convicções na praça pública.” Representada pela Alliance Defending Freedom International, Räsänen declarou que está buscando aconselhamento para recorrer à Corte Europeia de Direitos Humanos, enfatizando que o caso diz respeito à liberdade de expressão de todos os finlandeses. Paul Coleman, da ADF International, observou os riscos de leis vagas sobre discurso de ódio. O caso, que se estende por quase sete anos, atraiu atenção internacional, inclusive de legisladores americanos preocupados com as proteções à liberdade de expressão na Europa.