O procurador-geral da Flórida confirmou a reabertura da investigação criminal sobre o abatimento em 1996 dos aviões da Brothers to the Rescue, que matou quatro pessoas, incluindo três cidadãos dos EUA. Essa medida implica diretamente Raúl Castro como a principal figura. Considerado crime contra a humanidade, o caso não prescreve e pode levar a um mandado de prisão internacional.
Em 24 de fevereiro de 1996, caças MiG cubanos abateram dois aviões monomotores da Brothers to the Rescue, uma organização sem fins lucrativos sediada em Miami e fundada no início dos anos 1990. O grupo patrulhava águas internacionais em busca de balseiros cubanos que fugiam da ilha. As vítimas foram os cidadãos dos EUA Mario de la Peña, Carlos Costa e Armando Alejandre, além do residente permanente Pablo Morales. Florida Attorney General James Uthmeier confirmou a reabertura da investigação criminal. “Quando injustiças são cometidas contra cidadãos da Flórida, tanto pela lei estadual quanto federal, os responsáveis devem ser responsabilizados”, declarou Uthmeier em referência aos eventos de 1996. Registros anteriores do caso, aberto no início dos anos 2000, acusaram dois pilotos de combate e um general da Força Aérea pelos assassinatos. O incidente também foi ligado a uma rede de espiões cubanos capturada em 1998, na qual pelo menos dois agentes se infiltraram na organização e forneceram informações detalhadas sobre rotas de voo e horários ao governo cubano, auxiliando a operação militar. Esses dois agentes faziam parte dos Cinco Cubanos, que retornaram a Havana em 2014 após uma troca de prisioneiros na administração de Barack Obama. Há agora apelos para incluir o responsável final pela decisão, Raúl Castro, de 94 anos, que junto com seu irmão Fidel ordenou o abatimento. A tragédia provocou uma crise diplomática entre Washington e Havana, levando, semanas depois, à aprovação da Lei Helms-Burton, que reforçou o embargo. O regime cubano justificou o abatimento alegando que ocorreu em águas cubanas, enquanto os acusadores sustentam que aconteceu sobre águas internacionais. Um obstáculo fundamental é que Raúl Castro não reside em território dos EUA. Existe um antigo tratado bilateral de extradição, mas que não é aplicado desde 1959. Além disso, o controle do Estado cubano sobre a narrativa do incidente dificulta a coleta de evidências e testemunhos. No entanto, o peso político e moral do caso está sendo priorizado, recorrendo a precedentes como a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro.