Dick Cheney, que serviu como vice-presidente sob George W. Bush e exerceu influência desproporcional sobre a política dos EUA após os ataques de 11 de setembro, morreu em 3 de novembro de 2025, aos 84 anos, disse sua família. A causa foram complicações de pneumonia e doenças cardíacas e vasculares após um longo histórico de problemas cardíacos.
Cheney nasceu em 1941 em Lincoln, Neb., e mudou-se para Wyoming ainda criança, crescendo em Casper. Deixou a Universidade de Yale após dificuldades acadêmicas, obteve um diploma da Universidade de Wyoming e prosseguiu estudos de pós-graduação na Universidade de Wisconsin. Durante a era da Guerra do Vietnã, recebeu cinco adiamentos de alistamento e não serviu no exército. (vpm.org)
Entrou na política nacional em 1969 como estagiário do Congresso e logo trabalhou na Casa Branca de Nixon sob Donald Rumsfeld. Em 1975, aos 34 anos, tornou-se chefe de gabinete da Casa Branca para o presidente Gerald Ford. (vpm.org)
Eleito representante dos EUA por Wyoming em 1978, Cheney serviu uma década na Câmara antes de o presidente George H.W. Bush nomeá-lo secretário de defesa em 1989. Como chefe do Pentágono, supervisionou a invasão dos EUA a Panamá em 1989 e dirigiu a Operação Tempestade no Deserto em 1991, que expulsou as forças iraquianas do Kuwait. (army.mil)
Após deixar o governo em 1993, Cheney juntou-se ao American Enterprise Institute e, em 1995, tornou-se CEO da Halliburton, cargo que ocupou até 2000, quando renunciou para se juntar à chapa de George W. Bush. Bush e Cheney assumiram o cargo após a decisão da Suprema Corte em Bush v. Gore, que efetivamente encerrou a recontagem na Flórida nas eleições de 2000. (ir.halliburton.com)
Como vice-presidente de 2001 a 2009, Cheney foi amplamente visto como um dos detentores mais poderosos do cargo, moldando a estratégia da administração pós-11 de setembro, incluindo uma doutrina de ação preemptiva e a invasão do Iraque em 2003. No Meet the Press da NBC em 2003, ele previu que as tropas dos EUA “seriam recebidas como libertadores”. (vpm.org)
Os problemas de saúde de Cheney eram de longa data: ele sofreu seu primeiro ataque cardíaco em 1978 e cinco no total, e recebeu um transplante de coração em 2012. (people.com)
Seu mandato gerou controvérsia. Em 2007, seu chefe de gabinete, I. Lewis “Scooter” Libby, foi condenado por perjúrio e obstrução no caso de vazamento da CIA; e em 2006, Cheney atirou acidentalmente no advogado Harry Whittington em um acidente de caça no Texas. (vpm.org)
Em anos posteriores, Cheney criticou os presidentes Barack Obama e Donald Trump. Em um anúncio de 2022 apoiando a campanha de sua filha Liz Cheney na Câmara, ele disse: “Na história de 246 anos de nossa nação, nunca houve um indivíduo que representasse uma ameaça maior à nossa república do que Donald Trump … Ele é um covarde.” Em 2024, Cheney disse que votaria na democrata Kamala Harris em vez de Trump, citando o dever de colocar o país acima do partido. (vpm.org)
Homenagens fluíram após sua morte. O ex-presidente George W. Bush chamou Cheney de “uma presença calma e estável na Casa Branca em meio a grandes desafios nacionais” e “um dos melhores servidores públicos de sua geração”, em um comunicado do Bush Presidential Center. Até terça-feira, o presidente Donald Trump não havia emitido uma declaração sobre a morte de Cheney, de acordo com a Reuters e a Associated Press. (bushcenter.org)
A família Cheney o lembrou como “um grande e bom homem que ensinou seus filhos e netos a amar nosso país … e a pesca com mosca.” Ele é sobrevivido por sua esposa, Lynne, com quem foi casado por 61 anos, e suas filhas, Liz e Mary. (boston.com)