Ativistas indígenas protestam contra planos de floresta para COP30 no Brasil

Protestantes indígenas bloquearam a entrada da COP30 em Belém, Brasil, criticando as novas iniciativas de proteção à floresta tropical do Brasil como insuficientes. As manifestações destacam a exclusão contínua das vozes indígenas das negociações globais sobre clima. Ativistas exigem maior reconhecimento de seus direitos territoriais e papéis como guardiões da biodiversidade.

Na sexta-feira, pelo menos 100 manifestantes indígenas bloquearam a entrada da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, ou COP30, em Belém, Brasil. Isso seguiu uma ação anterior em que centenas marcharam para o local, chocando-se com a segurança e passando por detectores de metal para instar os negociadores a protegerem suas terras.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que as vozes indígenas devem "inspirar" a COP30. Em resposta a exclusões históricas, o país anfitrião anunciou a Tropical Forests Forever Facility (TFFF), visando criar incentivos financeiros para preservar florestas tropicais em até 74 países. A TFFF, hospedada pelo Banco Mundial, busca US$ 25 bilhões em investimentos para crescer para um fundo de US$ 125 bilhões. Os governos recebem pagamentos se sua taxa de desmatamento permanecer em ou abaixo de 0,5 por cento anualmente, com 20 por cento dos fundos repassados a comunidades indígenas e locais.

Proponentes como Toerris Jaeger, diretora da Rainforest Foundation Norway, elogiaram a iniciativa: "florestas tropicais e florestas como o bem público global que são... precisam ser mantidas de pé e é isso que a TFFF faz." No entanto, críticos argumentam que ela commoditiza ecossistemas. Toya Manchineri, coordenador geral da Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, disse: "Não se pode colocar um preço em uma floresta conservada porque a vida não pode ser medida, e a Amazônia é vida para os milhares de seres que a habitam e dependem dela para existir." Ele observou que a alocação de 20 por cento é um começo, mas insuficiente, enfatizando a autoridade indígena na proteção climática.

Mary Lou Malig da Global Forest Coalition chamou a TFFF de "outra solução falsa para as crises planetárias de perda de biodiversidade, perda de florestas e colapso climático," lucrando com problemas criados por bancos e corporações. Os pagamentos do plano dependem do desempenho do mercado, introduzindo incerteza.

O Brasil também aderiu ao Compromisso Intergovernamental de Direitos Fundiários (ILTC) com outros nove países, apoiado por um compromisso de US$ 1,8 bilhão para reconhecer direitos territoriais indígenas. Juan Carlos Jintiach da Aliança Global de Comunidades Territoriais acolheu-o, mas enfatizou a necessidade de monitoramento. Zimyl Adler da Friends of the Earth U.S. afirmou: "Não podemos ter adaptação climática, mitigação climática ou justiça climática sem direitos territoriais e o reconhecimento e demarcação do território indígena."

Um relatório recente sobre Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) de 85 países encontrou apenas 20 referenciando direitos indígenas, com apenas cinco mencionando Consentimento Livre, Prévio e Informado. Kate Dooley da Universidade de Melbourne chamou isso de "uma oportunidade real perdida."

O manifestante Cacique Gilson, líder tupinambá, declarou: "Não comemos dinheiro. Queremos nosso território livre," em meio a ameaças contínuas de petróleo, mineração e extração de madeira. O contexto de fundo inclui a história de desmatamento do Brasil: 13 por cento da Amazônia original perdida, 70 por cento para pastagens de gado, como o maior exportador mundial de carne bovina e soja para a China.

Com a COP30 em andamento, esses protestos questionam se as negociações resultarão em ações para comunidades indígenas enfrentando desmatamento e direitos territoriais fracos.

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