Ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o Irã no dia 28 de fevereiro mataram o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, desencadeando retaliações iranianas e divisões nos Brics. Países como Brasil, China e Rússia condenaram as ações iniciais, enquanto Índia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos criticaram as respostas do Irã. O conflito aumentou a volatilidade nos mercados, freando fluxos de capital para emergentes.
O conflito no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra alvos no Irã, matando o aiatolá Ali Khamenei e três outros oficiais de alto escalão. O presidente Donald Trump justificou a ação como necessária para eliminar 'ameaças iminentes' do regime iraniano, citando o programa nuclear e mísseis de longo alcance. O Irã rebateu que seu programa nuclear tem fins pacíficos e retaliou com mísseis contra Israel e bases americanas em países do Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. O conflito se espalhou para Síria e Líbano, com o Hezbollah lançando mísseis contra Israel.
Nos Brics, expandido em 2023 para incluir Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã como membros ou parceiros, as reações revelaram divisões. O Brasil, via Itamaraty, condenou os ataques iniciais e pediu diplomacia, mas depois repudiou as retaliações iranianas, solidarizando-se com nações do Golfo. O embaixador Celso Amorim afirmou: 'Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável.' Rússia e China também condenaram veementemente: Vladimir Putin chamou de 'violação cínica de todas as normas de moralidade humana e do direito internacional', e a porta-voz chinesa Mao Ning descreveu como 'grave violação da soberania'. A Índia expressou preocupação e urgiu contenção, com Narendra Modi condenando ataques iranianos à Arábia Saudita. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos convocaram embaixadores iranianos e criticaram as agressões de Teerã.
Analistas como Ana Elisa Saggioro Garcia, da PUC-Rio, notam que a expansão dos Brics trouxe contradições geopolíticas, impedindo ações coletivas. Josemar Franco, da BMJ Consultores, destaca que a diversidade mantém o foco econômico, mas afasta ambições políticas.
Economicamente, o conflito freou investimentos em emergentes. A Bolsa brasileira caiu mais de 3% em 3 de março, alinhada a quedas em México, Chile, Índia e China. O índice MSCI Mercados Emergentes perdeu 4%, com 'flight-to-safety' impulsionando o dólar, que subiu 1,87% para R$ 5,261. O petróleo Brent avançou mais de 11% após o Irã fechar o Estreito de Hormuz, vital para 20% da produção global. João Ferreira, da One Investimentos, disse: 'Os ataques ao Irã foram totalmente inesperados.' A China, principal compradora de petróleo iraniano via acordo de 25 anos de 2021, enfatizou estabilidade, com Wang Yi chamando a morte de Khamenei de 'inaceitável'. Até 4 de março, o conflito entrava no quinto dia, sem posição conjunta dos Brics.