Após a escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã no início de março, os mercados financeiros da África do Sul continuam abalados, com os rendimentos dos títulos de 10 anos atingindo 9,5% e o índice JSE All Share em queda de 20% neste mês. O anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre conversas produtivas com o Irã em 23 de março de 2026, adiando ataques, proporcionou um breve alívio, mas os choques do petróleo persistem, aumentando os riscos de estagflação para mercados emergentes como a África do Sul.
A guerra prolongada entre EUA, Israel e Irã — desencadeada por ataques no início de março que mataram o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e levaram ao fechamento do Estreito de Ormuz — intensificou a volatilidade do mercado global, atingindo duramente a África do Sul. O rendimento dos títulos públicos de 10 anos subiu para 9,5%, ante menos de 8% no mês passado, em meio à disparada dos preços do petróleo e aos temores de estagflação que frustraram os cortes esperados nas taxas de juros e elevaram os custos de empréstimos. O índice JSE All Share caiu cerca de 20% este mês, eliminando os ganhos de uma alta anterior de 50% impulsionada por ações de ouro e otimismo com a recuperação.
O ouro, que subiu 80% até fevereiro devido a preocupações com a inflação, caiu quase 15% na última semana, para US$ 4.100/onça, em meio a chamadas de margem e expectativas de aumento de juros. O rand atingiu 16,91 por dólar na terça-feira, frente aos 15,91 do final de fevereiro e 17,24 após as notícias de Trump. Em 23 de março de 2026, Trump revelou conversas 'produtivas' entre EUA e Irã, ordenando o adiamento de cinco dias dos ataques; isso reduziu os preços do petróleo em 10%, elevando temporariamente o Brent acima de US$ 90/barril.
O chefe da AIE, Fatih Birol, chamou a crise energética de 'grande ameaça', comparável aos choques da década de 1970 e à guerra na Ucrânia — a maior interrupção de petróleo da história. Ataques iranianos teriam eliminado 17% da capacidade de GNL do Catar por até cinco anos (Reuters). Jee-A van der Linde, da Oxford Economics Africa, prevê que o Banco Central da África do Sul manterá as taxas inalteradas durante a maior parte de 2026, possivelmente reduzindo as previsões de crescimento. Mesmo uma breve desescalada deixa cicatrizes energéticas duradouras, impedindo o alívio das taxas e o crescimento.