Karenna Gore compara crise climática a conflito ético da escravidão

Karenna Gore, filha do ex-vice-presidente americano Al Gore, discute como a crise climática expõe um choque entre leis e consciência moral, similar ao visto na escravidão. Em entrevista, ela destaca o papel do Balanço Ético Global na COP30 para promover um pacto ético contra as mudanças climáticas. Sua trajetória une ética, fé e justiça ambiental em diálogos inter-religiosos.

Karenna Gore, de 52 anos, fundadora e diretora do Centro de Ética da Terra no Seminário Teológico Union, tem se dedicado à interseção entre ética, fé e justiça ambiental. Graduada por Harvard, com doutorado em direito pela Universidade Columbia, ela integra a rede de especialistas do programa Harmonia com a Natureza das Nações Unidas.

Em março, o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, anunciou o Balanço Ético Global (BEG), inspirado no Balanço Global do Acordo de Paris. Citando o humanista François Rabelais, ele afirmou: "Ciência sem consciência é apenas a ruína da alma". O projeto reúne pensadores, cientistas, líderes religiosos e comunidades tradicionais para discutir compromissos éticos na crise climática.

Gore foi convidada a coliderar o Diálogo da América do Norte no BEG, após oferecer contribuições inspirada pela ministra Marina Silva. Eventos ocorreram em todos os continentes, promovendo um pacto ético para transformação ecológica. Ela elogia a participação de Robert Bullard, o "pai da justiça ambiental", que relembrou princípios de 1991 da Primeira Conferência Nacional de Lideranças Ambientais de Pessoas Não Brancas e sua recepção na Eco-92 no Rio de Janeiro.

"Foi extraordinário ouvir Bullard relembrar e ensinar sobre esses princípios", disse Gore. Em 2016, ela foi presa em protesto pacífico contra um gasoduto em Boston, referenciando ondas de calor no Paquistão que mataram mais de mil pessoas: "Deitamos na vala do gasoduto em referência às valas comuns no Paquistão".

Gore, criada em tradição cristã protestante, explora convergências religiosas como humildade e interdependência para enfrentar o ceticismo evangélico nos EUA. Ela cita a encíclica Laudato Si' do papa Francisco, que influenciou o Acordo de Paris, e o pacto islâmico Al-Mizan. Para ela, a ética climática amplia o círculo moral para incluir pobres, futuras gerações e vida não humana, diagnosticando causas profundas, como na frase de Dom Helder Câmara: "Quando dou de comer aos pobres, chamam-me de santo; quando pergunto por que são pobres, chamam-me de comunista".

Na COP30 em Belém, o BEG teve pavilhão na zona azul e a TED Countdown House como espaços colaborativos. Gore vê o iniciativa como "movimento de movimentos", catalisador para mudanças além da conferência, reconhecendo obstáculos como o lobby fóssil e propondo narrativas humanas para comunicação.

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar