Uma indústria informal de lobistas, advogados e agentes políticos surgiu em torno de pedidos de clemência presidencial durante o segundo mandato do presidente Trump, com alguns clientes pagando centenas de milhares de dólares — e, em alguns casos, quantias muito maiores — a defensores que afirmam poder ajudar a navegar pelo processo.
O rapper Boosie Badazz — cujo nome legal é Torence Hatch — pagou US$ 600.000 aos lobistas de Washington, Jack Burkman e Jacob Wohl, da JM Burkman & Associates, para buscar a clemência presidencial, de acordo com o NOTUS, que revisou um contrato vinculado ao esforço e comunicações relacionadas. (notus.org)
Hatch não recebeu o perdão e busca reaver US$ 300.000 por meio de arbitragem, um valor que ele argumenta ter sido garantido pelo contrato caso o perdão não fosse obtido dentro de um prazo estipulado, relatou o NOTUS. A Burkman & Associates contestou que qualquer cláusula de reembolso tenha sido acordada, segundo o mesmo relatório. (notus.org)
A disputa atraiu nova atenção para o que o NOTUS e a NPR descreveram como uma crescente “economia da clemência” — um mercado no qual defensores com boas conexões vendem seu acesso à Casa Branca e cobram taxas elevadas de clientes que buscam perdões ou comutações de pena. (notus.org)
Por décadas, os solicitantes eram tipicamente direcionados pelo Office of the Pardon Attorney (Gabinete do Procurador de Perdões) do Departamento de Justiça, que recebe petições, coordena revisões e prepara recomendações para o presidente sob regulamentos federais — embora a decisão final caiba legalmente ao presidente. (justice.gov)
No entanto, o NOTUS relatou que, no segundo mandato de Trump, o caminho tradicional centrado no Departamento de Justiça tem sido muito menos central na prática, com um círculo menor de assessores da Casa Branca orientando quais casos chegam ao presidente — uma dinâmica que tem encorajado intermediários externos a vender seus serviços. (notus.org)
O NOTUS também relatou que lobistas e advogados nessa área podem direcionar clientes para redes conectadas a Trump — incluindo pessoas que conseguem alcançar autoridades do governo — e que os pagamentos totais a defensores de perdões já chegam a milhões de dólares, com base em divulgações de lobby e entrevistas citadas na reportagem. (notus.org)
Um funcionário da Casa Branca disse ao NOTUS que a equipe de clemência “nunca ouviu falar” de Burkman ou Wohl, que não apoia o trabalho deles e que o envolvimento de ambos poderia prejudicar as chances de um solicitante — enfatizando que apenas o presidente tem autoridade para conceder perdões. (notus.org)