Zohran Mamdani, prefeito eleito de Nova York que se descreve como socialista democrático, visitou a Casa Branca na sexta-feira e depois disse que continua disposto a trabalhar com o presidente Donald Trump. Mesmo reafirmando comentários passados chamando Trump de fascista e ameaça à democracia, Mamdani disse ao “Meet the Press” da NBC que sua prioridade é entregar resultados para os nova-iorquinos encontrando áreas de acordo com a Casa Branca.
O prefeito eleito de Nova York, Zohran Mamdani, reuniu-se com o presidente Donald Trump na Casa Branca na sexta-feira em um encontro descrito por vários veículos como surpreendentemente cordial, apesar de meses de retórica dura entre os dois.
Mamdani, um socialista democrático, havia rotulado Trump anteriormente como “fascista”, “déspota” e ameaça à democracia. Em uma entrevista gravada no sábado e exibida no domingo no Meet the Press da NBC, Mamdani disse que ainda se mantém fiel a essas descrições.
Durante uma coletiva de imprensa após a reunião na Casa Branca, um repórter perguntou a Mamdani se ele ainda acreditava que Trump é um fascista. Antes que Mamdani pudesse responder completamente, Trump interrompeu, brincando: “Tudo bem. Você pode só dizer sim. É mais fácil do que explicar. Eu não me importo”, de acordo com relatos de veículos conservadores e mainstream. Mamdani esclareceu posteriormente na NBC que, após o comentário de Trump, ele de fato disse “sim” quando perguntado se considera o presidente um fascista.
No Meet the Press, Mamdani reiterou que sua visão de Trump não mudou. “É algo que eu disse no passado e digo hoje”, afirmou quando pressionado sobre se ainda acredita que Trump é um fascista. Perguntado se ainda vê Trump como uma ameaça à democracia, Mamdani respondeu: “Tudo o que eu disse no passado, continuo acreditando”, acrescentando que o que importa na política é não fugir das discordâncias enquanto se reconhece “o que nos traz àquela mesa”.
Mamdani enquadrou sua decisão de se reunir com Trump como uma questão de responsabilidade para com seus eleitores, e não uma virada política. “Tudo o que eu disse no passado, continuo acreditando, e isso é o que acho importante na nossa política: não fugirmos de onde discordamos, mas entendermos o que nos traz àquela mesa, porque não estou entrando no Salão Oval para fazer um ponto ou tomar uma posição. Estou entrando lá para entregar para os nova-iorquinos”, disse ele, segundo veículos como Newsmax e outros que veicularam suas declarações.
Ele também argumentou que governar a Cidade de Nova York exige engajar-se mesmo com oponentes políticos. “Acho que trabalhar pelo povo da Cidade de Nova York exige que você trabalhe com todos e qualquer um—e que sempre procure aquelas áreas de acordo sem ignorar os lugares de discordância”, disse Mamdani à NBC, uma frase citada em vários relatórios.
Repórteres que cobriram a sessão no Salão Oval na sexta-feira disseram que o tom entre Trump e Mamdani foi notavelmente caloroso dado seus intercâmbios anteriores, com ambos sorrindo e brincando ocasionalmente enquanto falavam com a imprensa. A cobertura de múltiplos veículos indicou que os dois discutiram questões como acessibilidade, moradia, pressões do custo de vida e segurança pública na Cidade de Nova York, áreas onde sugeriram que poderia haver algum terreno comum.
Trump, por sua vez, tem ignorado publicamente as críticas de Mamdani e o encorajado a repeti-las. Na Casa Branca, após interromper a pergunta sobre “fascista”, Trump disse que não se importava com o rótulo e insinuou que já foi chamado de pior. Em comentários posteriores sobre o encontro, ele expressou otimismo sobre trabalhar com o prefeito empossado e disse que queria que Mamdani tivesse sucesso em tornar Nova York mais segura e acessível.
A disposição de Mamdani em buscar cooperação pragmática com Trump, mesmo reiterando que vê o presidente como fascista e ameaça à democracia, atraiu ampla atenção e debate em todo o espectro político. Alguns comentaristas de esquerda condenaram o que descrevem como uma “parceria” com um ditador em potencial, enquanto outros enquadram o encontro como um teste de se figuras políticas profundamente opostas ainda podem colaborar em metas de políticas compartilhadas, como enfrentar a crise de acessibilidade de Nova York.
O encontro e suas consequências destacam uma tensão central da administração entrante de Mamdani: como reconciliar sua retórica intransigente sobre Trump e democracia com sua insistência de que deve trabalhar “com todos e qualquer um” se quiser entregar resultados concretos para os nova-iorquinos.